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3/4 – São Ricardo de Wyche, Bispo e Confessor

Este santo nasceu por volta do ano de 1197 em Droitwich, Inglaterra, sendo o segundo filho de Ricardo e Alice de Wyche. À morte de seus pais, as propriedades passaram para o filho mais velho. Mas, devido aos impostos e outras despesas, a família ficou empobrecida. Ricardo precisou então de trabalhar com as próprias mãos nas propriedades que eram agora do irmão, e fê-lo com tanto empenho, que em breve as restaurou em boas condições. O irmão fez dele seu herdeiro, e alguns amigos quiseram casá-lo com uma jovem da nobreza. Mas o santo rejeitou a proposta, propondo que o irmão com ela se casasse, pois ele queria levar uma vida de estudo e serviço à Igreja.

O santo foi estudar na Universidade de Oxford, onde morava com dois companheiros na mais extrema pobreza. Logo depois de se ter formado, começou a ensinar na Universidade. Mas, para se aperfeiçoar-se, foi para Paris e Bolonha, onde estudou Direito Canónico.

Foi então que, em 1237, o seu antigo tutor, Santo Edmundo de Abingdon, tornando-se Arcebispo de Canterbury, nomeou São Ricardo chanceler da diocese. Santo Edmundo era respeitado pela sua grande cultura. Foi um pregador muito apreciado, tendo pregado a sexta cruzada. Ora, São Ricardo participava dos ideais de reforma do clero e de apoio dos direitos do Papa do seu Bispo, o que desagradava ao Rei. Por isso, quando Santo Edmundo foi exilado para Pontigny (França), seguiu-o.

Ricardo resolveu então ordenar-se sacerdote com os Dominicanos de Orleães. Regressando a Inglaterra, pouco depois, foi de novo feito Chanceler de Canterbury pelo novo Bispo, Bonifácio de Savoy.

Vagando a Sé de Chichester, foi eleito seu bispo. Mas o Rei Henrique III não quis aceitá-lo, favorecendo outro candidato. O Arcebispo Bonifácio recusou-se a confirmar o candidato do Rei, e os dois lados apelaram para o Papa. Henrique III confiscou então as propriedades e as rendas do bispado, apesar de o Papa Inocêncio IV ter confirmado a eleição de Ricardo, e consagrado o santo em Lyon, em Março de 1245.

Quando São Ricardo tomou posse da sua diocese, o Rei recusou-se a devolver-lhe as propriedades durante dois anos, e só o fez quando foi ameaçado de excomunhão; mas proibiu que se desse abrigo e alimento ao bispo. O santo teve, pois, de viver na casa do vigário de Tarring; visitava a sua diocese a pé, e cultivava figos nos tempos livres. Vivia com muita frugalidade e temperança; usava um cilício de crina e excluía a carne da sua dieta, vivendo só de legumes. Era intransigente com os usurários e com o clero corrupto.

Com o auxílio do seu capítulo, São Ricardo codificou um corpo de estatutos para a organização da Igreja na sua diocese e para seu clero. Naquele tempo, eram muitos os sacerdotes que se casavam secretamente, apesar de estas alianças não serem reconhecidas pelo Direito Canónico, o que significava que as mulheres eram consideradas amantes ou concubinas.

O santo empenhou-se muito na pregação de uma cruzada. Após dedicar uma capela a Santo Edmundo em Dover, onde estava, por ordem do Papa, a pregar a cruzada, faleceu nessa cidade aos 56 anos, no dia 3 de Abril de 1253.

Foi sepultado na sua Catedral de Chichester, onde o seu escrínio atraía muitos peregrinos. Em 1538, durante o reinado do lúgubre Henrique VIII, o relicário do santo foi destruído por ordem de Thomas Cromwell.


Foto: IPCO

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