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30/4 – São Pio V, Papa e Confessor

Lembrado principalmente como Papa da vitória de Lepanto, não porque fosse um homem belicoso, mas porque com a sua autoridade e com o seu prestígio pessoal conseguiu impor uma trégua nos conflitos domésticos dos Estados europeus e levá-los a formar a Santa Aliança para enfrentar o ameaçador avanço dos turcos. A 7 de Outubro de 1571, a frota cristã impôs nas águas de Lepanto uma derrota definitiva à esquadra turca. Naquele mesmo dia, Pio V, que não dispunha dos meios de comunicações actuais, ordenou que se tocassem os sinos de Roma convidando todos os fiéis a agradecer a Deus a vitória obtida.

Miguel Ghisleri, eleito papa em 1566 com o nome de Pio V, nasceu em Bosco Marengo, na província de Alexandria, em 1504. Aos 14 anos, tinha ingressado nos dominicanos. Após a ordenação sacerdotal, subiu rapidamente todos os degraus de uma excepcional carreira: professor, prior de convento, superior provincial, inquisidor em Como e em Bérgamo, Bispo de Sutri e Nepi, cardeal, Grande Inquisidor, Bispo de Mondovi, Papa. O título de inquisidor pode torná-lo antipático ao homem de hoje, que da Inquisição faz um conceito frequentemente deformado pelas narrações superficiais. Na verdade, Pio V foi um Papa um tanto sacrificado, como sacrificados são todos os reformadores dos costumes. Mas é um título de merecimento para ele ter rechaçado da Cúria romana a simonia e o nepotismo.

Aos numerosos parentes que foram a Roma com a esperança de algum privilégio, Pio V declarou que um parente do Papa pode considerar-se bastante rico se não viver na miséria. Entre as reformas no campo pastoral por ele promovidas sob influxo do Concílio de Trento, relembramos a obrigação de residência para os bispos, a clausura dos religiosos, o celibato e a santidade de vida dos sacerdotes, as visitas pastorais dos bispos, o incremento das missões, a correcção dos livros litúrgicos e a censura sobre as publicações.

A rígida disciplina que o santo impôs à Igreja tinha sido norma constante da sua própria vida. Primeiro como bispo e cardeal, depois como Papa, actuava em conformidade com o ideal ascético dos frades mendicantes. Condescendente com os humildes, paternal com a gente simples, mas inflexível e severo com todos os que comprometiam a unidade da Igreja, não titubeou em excomungar e decretar a destituição da Rainha da Inglaterra, Isabel I, embora consciente das trágicas consequências que poderiam resultar deste gesto para os católicos ingleses.

 Pio V morreu a 1 de Maio de 1572, aos 78 anos. Foi canonizado em 1712.  O Papa Sisto V colocou-lhe o corpo, em magnífica urna, na capela do Santíssimo Sacramento, na Basílica de Santa Maria Maior.

Dele diz o Martirológio Romano a 1de Maio: “Em Roma, o natalício (para o Céu) de São Pio V, da Ordem dos Pregadores, Papa e confessor, que se aplicou, com zelo e habilidade, a restaurar a disciplina eclesiástica, extirpar as heresias e esmagar os inimigos do nome cristão. Governou a Igreja pela santidade, não só da sua vida, mas também das leis que promulgava.”


Foto: El Greco [Public domain]

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