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18/5 – São Félix de Cantalício, Confessor

Na nossa época de luta de classes e de revoltas sociais, é oportuno conhecer a vida de um santo que nasceu, viveu e morreu na mais extrema pobreza, louvando sempre a Deus e cantando as suas glórias.  São Félix de Cantalício é um dos mais joviais e alegres santos do calendário: tinha a perfeita alegria de servir a Deus na pessoa dos seus superiores e irmãos, e, apesar das suas mortificações contínuas, nunca perdeu o bom humor. Durante 40 anos, este humilde capuchinho pediu esmolas para o seu convento nas ruas de Roma, tornando-se uma das mais queridas e populares figuras da Cidade Eterna.

Terceiro de uma família de cinco, Félix nasceu em Cantalício, pequeno povoado italiano do território de Cità Ducale, na província da Umbria. Seus pais eram pobres camponeses, cuja única riqueza consistia em oferecer aos filhos a religião católica, que lhes ensinaram desde o berço.

Os seus companheiros de infância e depois de juventude respeitavam-no tanto, que o tratavam sempre por São Félix. E todos se deixavam contagiar pela alegria que ele irradiava em seu redor, fruto da sua perfeita conformidade com a vontade de Deus.

Aos 28 anos, Félix teve um acidente que lhe pôs em risco a vida, levando-o a decidir fazer-se religioso: estava a arar o campo com uma junta de bois quando estes, assustando-se, se voltaram contra ele, fazendo-o cair por terra, e lhe passaram o arado por cima. Levantando-se sem um arranhão, Félix viu naquilo um aviso de Deus e foi pedir a admissão no mosteiro capuchinho da cidade.

Félix aprendia de memória orações, antífonas, salmos, versículos, hinos litúrgicos e passagens evangélicas para alimentar a sua devoção. Com frequência, rogava ao mestre de noviços que lhe redobrasse as penitências e mortificações, e o tratasse com mais severidade que aos outros, pois julgava os seus companheiros mais dóceis e inclinados à virtude.

En 1545, aos 30 anos, fez os votos solenes. Transcorridos 4 anos, foi enviado para Roma. Durante 40 anos, ou seja, quase até a morte, saía diariamente a pedir esmolas nas ruas da cidade, para a manutenção da comunidade. Para chamar a atenção do povo, costumava gritar: “Deo gratias! [graças a Deus]”, pelo que ficou conhecido na cidade como Frei Deogratias. A sua humildade era a fonte da sua jovialidade. Dizia ele: “Eu não sou frade, mas estou com os frades; sou o jumentinho dos capuchinhos.” E, quando alguém lhe perguntava como ia, respondia: “Estou melhor do que o Papa, que tem tantos contratempos; não trocaria este alforje pelo papado e o Rei Felipe juntos… Vivo tão feliz que já me parece estar no Céu.”

Nas apinhadas ruas da Cidade Eterna, encontrava todo o mundo, inclusive outros santos. Um deles era o grande Felipe Neri, tão jovial e cheio de bom humor quanto Frei Félix. Os dois cumprimentavam-se à sua maneira:

– Bom dia, Frei Félix – dizia-lhe Felipe. – Oxalá o queimem pelo amor de Deus. Assim chegará mais depressa ao Paraíso!

– Saúde, Padre Felipe – respondia-lhe o capuchinho. – Oxalá o matem a pauladas e o esquartejam em nome de Cristo!

Era comum ver-se em Roma esse espectáculo inusitado: o capuchinho ajoelhar-se para receber a bênção do Padre Felipe, e este ajoelhar-se ao mesmo tempo, pedindo a bênção a Frei Félix.

Outro santo que admirava e procurava a amizade de Frei Félix era o Cardeal Carlos Borromeu, que lhe pediu um conselho para dar a seus sacerdotes, a fim de progredirem na virtude. Frei Félix respondeu-lhe: “Que cada sacerdote se preocupe em celebrar muito bem a Missa e rezar muito devotamente os salmos que tem de rezar cada dia no ofício divino.”

Quando perguntavam a Frei Félix de onde lhe vinha tanta sabedoria, respondia: “Toda a minha ciência está encerrada num livrinho de seis letras: cinco vermelhas, as chagas de Cristo, e uma branca, a Virgem Imaculada.”

Um dia em que Frei Félix rezava no convento diante de uma imagem de Nossa Senhora com o Menino, esta, segundo testemunha ocular, cedeu-lhe o Menino para que o acariciasse. Isto foi imortalizado numa tela pelo pintor Murilo.

Enfim, em Maio de 1587, aos 72 anos, Frei Félix de Cantalício entregou a sua pura e inocente alma a Deus.

O Papa reinante, Sixto V, que o conhecera bem, recolheu 18 milagres operados pelo santo, para a sua beatificação. Frei Félix de Cantalício foi canonizado em 1712.

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