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15/3 – Santa Luísa de Marillac, Viúva

Santa Luísa de Marillac foi dirigida espiritual e grande cooperadora de São Vicente de Paulo, e desempenhou em relação a ele papel análogo ao de Santa Joana de Chantal junto de São Francisco de Sales. Hoje comemoramos a sua festa litúrgica.

No século xvii, ia adiantada a decadência da Idade Média – época que tão admiráveis frutos produziu outrora para a Cristandade. As guerras de religião em França haviam devastado o país, deixando-o com os campos sem cultivo e as fortunas arruinadas; um sem-número de famintos e miseráveis refugiava-se em Paris, aumentando de modo assustador a população da capital.

Diz um dos biógrafos de São Vicente: “Os mendigos formavam exércitos que se apresentavam em grupos compactos, de arma no braço e blasfémia nos lábios, diante das igrejas, exigindo imperiosamente esmola.”

O que podiam fazer os poderes públicos ante tão grande mal? Muito pouca coisa que fosse duradoura.

Foi quando a Providência suscitou esse homem de estatura verdadeiramente profética, São Vicente de Paulo, que – secundado por almas exponenciais e de grande santidade, como Santa Luísa de Marillac –, com as suas obras de assistência e misericórdia, começou a modificar o lúgubre panorama.

A infância e a adolescência de Luísa de Marillac foram uma sucessão de sofrimentos morais e espirituais. Órfã de pai e mãe, foi educada pelo tio, Chanceler do Reino de França, que, homem de grande piedade, a fez progredir nas letras, nas artes e na virtude. Porém, sendo de consciência sumamente delicada, Luísa sofria da terrível doença espiritual dos escrúpulos.

Aos 22 anos, sentiu o apelo para a vida religiosa, mas cedeu ao desejo do tio e ao conselho do confessor, casando-se com António Le Gras, oficial ao serviço da Rainha. António, porém, trazia consigo os sintomas da doença que o levaria ao túmulo 12 anos depois.

Viúva aos 34 anos, rica e piedosa, Luísa dedicou-se inteiramente aos pobres. Faltava-lhe porém um director que a livrasse dos malditos escrúpulos, permitindo-lhe enfim voar para os altos horizontes a que se sentia chamada. São Francisco de Sales tentou essa tarefa, mas os escrúpulos prosseguiram. A São Vicente de Paulo estava destinado o sucesso.

Dois anos após a morte de São Francisco de Sales, Santa Luísa conheceu São Vicente de Paulo. No primeiro encontro, a impressão mútua dos dois santos foi negativa. A bela e elevada educação aristocrática de Luísa de Marillac levou-a a ver no P.e Vicente um camponês um tanto rústico e tristonho; o sacerdote, por sua vez, não se interessou por aquela grande dama: ocupado com os pobres, como vivia, não tinha em vista dirigir espiritualmente pessoas da alta sociedade. Essa primeira impressão mútua, contrastante, desvaneceu-se aos poucos quando um foi descobrindo na alma do outro os enormes tesouros que a graça ali depositara.

Formou-se então aquela sociedade espiritual que frutificaria depois em tantos benefícios para a Igreja e a sociedade. E Santa Luísa, livre dos seus escrúpulos, tornou-se a maior colaboradora do santo nas obras de misericórdia que este empreendeu. Por seu turno, São Vicente conduziu-a aos páramos da santidade.

Santa Luísa colocou-se inteiramente nas suas mãos, fundando com ele as Confrarias da Caridade, a Congregação das Irmãs da Caridade (de São Vicente de Paulo), e tornando-se sua grande auxiliar até falecer, em 15 de Março de 1660, seis meses antes do seu director.

A fama dessa grande dama, apóstola da caridade, difundiu-se por vilas e cidades, tornando-se a sua entrada e saída em muitas delas um verdadeiro triunfo. Em Beauvais, por exemplo, não podia ter sido maior: “Mesmo os homens, desejosos de a escutarem, entravam furtivamente na casa onde ela falava às senhoras, esgueiravam-se até perto da sala da conferência, colavam os ouvidos às paredes de tabique, e retiravam-se maravilhados de tanta prudência e sabedoria. O povo de Beauvais despediu-se dela seguindo-a com vivas e aplausos até aos arredores da cidade. A multidão, rodeando a sua carruagem, estorvava-lhe a marcha.”

Semanalmente, São Vicente reunia as Filhas da Caridade em sessões familiares, nas quais lhes fazia perguntas sobre as virtudes cristãs, os votos e as Santas Regras; depois comentava as respostas, confirmando, esclarecendo ou corrigindo algum ponto. Santa Luísa, percebendo o tesouro que aquelas explicitações encerravam, começou, com a ajuda de outras irmãs, a anotá-las com a maior fidelidade. Tais notas foram-se difundindo entre as Filhas da Caridade por toda a França, sendo as primeiras colecções impressas em 1825. Graças, portanto, ao tirocínio de Santa Luísa de Marillac, possuímos essas regras de sabedoria e bom senso emanadas de um santo, com toda a vivacidade e até o pitoresco com que as pronunciou São Vicente de Paulo.

Santa Luísa faleceu no dia 15 de Março de 1660, com 69 anos.

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