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14/3 – Santa Matilde Rainha, Viúva

Afirma o nosso Divino Redentor que é muito difícil um rico entrar no reino dos Céus (Mt 19, 23). Mas não disse que é impossível. A dificuldade está em que, na prosperidade e na abundância, os ricos têm mais dificuldade em se desprenderem das coisas da terra para pensarem nas do Céu. Mas um rico pode e deve santificar-se, utilizando adequadamente os bens que a Providência pôs nas suas mãos.

Nas vidas dos santos encontramos muitos exemplos disso. Com efeito, entre os santos canonizados temos imperadores, reis, príncipes e muitos leigos de projecção que utilizaram a sua riqueza para cumprir os preceitos evangélicos. Um exemplo é Santa Matilde, Rainha da Alemanha, notável pelo seu amor a Deus e aos pobres e necessitados, cuja festa comemoramos hoje.

Santa Matilde nasceu em Engern, na Vestefália, por volta do ano 895. Era filha do Conde Dietrich da Saxónia, e da Condessa Reinhilde, da Dinamarca.

Ainda pequena, foi entregue à avó, que tinha o mesmo nome, para ser educada. Esta, depois de ficar viúva, entrara para o Mosteiro de Erfurt, do qual se tornara abadessa.

Destinada ao trono ducal, Matilde casou-se em 909 com Henrique, o Passarinheiro, filho do Duque da Saxónia, que sucedeu ao pai no ducado e se tornou depois Rei da Alemanha. O casal teve cinco filhos: Otão I, que foi Imperador da Alemanha; Henrique, Duque da Baviera; Bruno, o Grande, Arcebispo de Colónia e Duque da Lorena, também canonizado; Gerberga, que desposou o Duque Giselberto da Lorena, e depois Luís IV de França; e Edvige, que se casou com Hugo, o Grande, Conde de Paris, e foi mãe de Hugo Capeto, o rei francês fundador da dinastia dos Capetos.

Santa Matilde, como rainha, fez-se a mãe de todos, especialmente dos pobres e desfavorecidos. Interessava-se muito pelos presos, e aos que o eram por dívidas, pagava-lhas, obtendo assim a sua liberdade. Pobres, peregrinos e necessitados de toda a ordem encontravam nela uma protectora. A rainha santa fazia mais abundantemente as suas caridades aos sábados, por ser o dia dedicado à Mãe de Deus.

Após frutuoso reinado de mais de 17 anos, Henrique I faleceu no ano de 936.

Matilde entregou-se então inteiramente aos exercícios de piedade que São Paulo recomenda a uma verdadeira viúva. Era muito sóbria nas suas refeições, pacífica e tranquila nas conversas, pronta somente a fazer o bem a toda a gente, e a cumprir tudo o que era o seu dever; não empreendia nada senão depois de procurar conselho e de ter consultado a Deus na oração.

Curiosamente, até os santos têm às vezes as suas fraquezas. A de Santa Matilde era a preferência pelo segundo filho, Henrique, que, apesar de não ser o primogénito, era o seu preferido para suceder ao pai no trono. Mas foi Otão que o fez, tendo Henrique de contentar-se com o ducado da Baviera.

Ora, tanto Otão como Henrique – que assim se mostrou ingrato para com sua mãe – consideravam exorbitante a prodigalidade da Rainha Mãe para com os pobres e aflitos, alegando que ela estava a empobrecer a coroa. Para os satisfazer, a santa renunciou em favor deles a todas suas propriedades, mesmo as que herdara do marido, e retirou-se para uma casa de campo em Engern.

Mas começou a haver tantos distúrbios e calamidades no reino, que não só o povinho miúdo, mas também a nobreza, começou a clamar que elas se deviam à injustiça feita à rainha, e Otão teve de a chamar de volta. À partir de então, houve a mais perfeita harmonia entre a mãe santa e os filhos ingratos, e o povo de Deus comentava depois que a eleição de Otão para imperador se devera em grande parte a essa justiça prestada a sua mãe.

Um historiador germano, quase contemporâneo da santa, diz dela: “De tal sorte a sua grande prudência unia a humildade com o decoro régio, que quem mais a admirava humilde, devota e recolhida – sempre em oração, assistindo a pobres, peregrinos e enfermos –, mais a venerava como grande princesa, rainha excelsa e imperatriz soberana” (Witchindo, História Saxónica, livro iii).

Santa Matilde faleceu no dia 14 de Março do ano de 968, sobre uma mortalha posta na terra. De tal maneira fora unida a seu marido, falecido 32 anos antes, que quis ser enterrada a seu lado. Pela sua fama de santidade, começou a ser venerada logo depois da morte.

 “Foi assim que terminou a sua vida aquela que era a mãe dos pobres, a protectora dos povos, a advogada dos prisioneiros e dos cativos, a alegria do Império, a fundadora de tantas igrejas, hospitais e mosteiros, numa palavra, a mais completa, a mais cristã e a mais virtuosa princesa do seu século”, exclama um dos seus biógrafos.


Foto: Wellcome Images [CC BY 4.0]

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