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6/5 – Martírio de São João na Porta Latina

Um dia Salomé, acompanhada dos seus dois filhos, Tiago e João, compareceu em frente a Nosso Senhor, e suplicou-Lhe que os seus filhos se sentassem “um à sua direita, e outro à sua esquerda” no seu reino. O Messias perguntou-lhes: “Podeis beber o cálice que Eu tenho de beber?”, significando a sua Paixão e morte. Os dois discípulos responderam afirmativamente, mostrando a sua resolução de morrer pelo Evangelho. Essa predição foi literalmente cumprida com São Tiago, quando Herodes o mandou matar por causa da religião que pregava.

Já São João amava tão ternamente Nosso Senhor, que se pode dizer que bebeu o cálice do Senhor quando teve de assistir à sua crucifixão. Mas também viu cumprida a promessa quando, sob Domiciano, teve de enfrentar o martírio por Nosso Senhor Jesus Cristo.

A primeira perseguição cristã, que principiou com Nero, cessou no ano de 69. Durante mais de 20 anos, sucedendo-se no trono Galba, Otão, Vitélio, Vespasiano e Tito, os fiéis viveram em paz em toda a extensão do Império Romano.

Tendo a Santíssima Virgem, como diz a tradição, subido aos Céus pelo ano de 42, São João ficou estabelecido na cidade marítima de Éfeso, onde se encontrava quando Domiciano subiu ao trono imperial (81-96). Os primeiros anos do seu governo foram tranquilos para os cristãos. Mas, no 14.º ano do seu reinado, o Imperador enfureceu-se contra eles e renovou as perseguições de Nero. Muitos cristãos foram então condenados à morte.

Nessa altura, São João Evangelista estava encarregado do governo de todas as igrejas da Ásia, e gozava de grande reputação, tanto pela sua eminente dignidade, quanto pelas suas virtudes e os seus milagres. Apesar disso, foi preso e levado para Roma no ano 95.

Comparecendo diante do Imperador, este, apesar de São João ser já um ancião venerável, condenou-o a ser lançado numa caldeira de óleo a ferver, conforme Tertuliano, Eusébio e São Jerónimo.

Deus contentou-Se com a disposição do confessor da fé, mantendo-lhe no entanto o mérito e a honra do martírio: suspendeu a actividade do fogo, e conservou-lhe a vida, como outrora aos três jovens na fornalha da Babilónia.

Diz a tradição – e referem Tertuliano e São Jerónimo – que o Apóstolo saiu da fornalha mais forte e rejuvenescido.

Diante do milagre, o tirano, em vez de se comover, mandou que exilassem o santo Apóstolo para a ilha de Patmos, onde São João escreveu o seu Apocalipse. No ano seguinte, tendo falecido Domiciano, Nerva, que tinha boas qualidades e era naturalmente pacífico, tomou as rédeas do Império, e São João pôde sair do seu exílio e voltar a Éfeso, onde morreu em extrema ancianidade.


Foto: Charles Le Brun [Public Domain]

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