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30/6 – Protomártires da Igreja de Roma

Na Praça de São Pedro, no Vaticano, e nas vizinhanças, deram-se os horrores da perseguição de Nero. Aí se localizavam os jardins de Agripina, mulher de Germânico, que passaram para o filho, Calígula, dando assim entrada no património imperial. Calígula construiu neles um circo e um lago, e Nero fez, mais tarde, a ponte de ligação com a outra margem do Tibre, onde se encontra a maior parte da Roma antiga.

Do lado sul da Basílica Vaticana, há um recinto pequeno, chamado ainda hoje Praça dos Protomártires, ou primeiros mártires romanos. As iluminações que aí se vêem na noite de 26 de Junho evocam as fogueiras que, pelo ano 64 ou 65, consumiram e sublimaram humildes e heróicas vidas humanas.

Roma ardera durante seis dias e seis noites. O Circo Máximo, em parte de madeira, ficou inutilizável, e o Circo Flamínio provavelmente também. Ainda assim, os pagãos não queriam prescindir dos jogos em honra de Vénus, se bem que atribuíssem a Nero a culpa do incêncio da cidade.

Tácito (55-120), escritor pagão e inimigo dos cristãos, exprime da seguinte maneira aquela tragédia: “Para fazer calar esta voz [que atribuía o incêndio a Nero], Nero apresentou réus, e sujeitou aos suplícios mais cruéis os homens, odiosos pelos seus crimes, a que o vulgo chama cristãos. (…) A execrável superstição, a princípio reprimida, irrompeu de novo, não só na Judeia, origem deste mal, mas até em Roma, aonde vem ter e onde se junta o que existe, por toda a parte e fora dela, de mais atroz e vergonhoso.”

Procurando depois dar um ar de imparcialidade, Tácito descreve os tormentos a que eram sujeitos os cristãos: “Prendem-se primeiro os que manifestam [seguir o cristianismo], e depois, conforme as indicações que eles dão [sob tortura], prendem-se outros em massa, condenados menos pelo crime do incêndio [de Roma], do que pelo ódio que lhes tem o género humano. Aos tormentos juntam-se as mofas; homens, envolvidos em peles de animais morrem despedaçados pelos cães, ou são presos a cruzes, ou destinados a ser abrasados e acesos, à maneira de luz nocturna, ao acabar o dia.”

Também Séneca (c. 4-65), outro pagão, narra os suplícios que presenciou: “O ferro, as chamas, as cadeias, a multidão dos animais ferozes saciando-se de entranhas humanas; a prisão, as cruzes, os ecúleos, os ganchos, o pau a atravessar o tronco da vítima e a sair-lhe pela cabeça, os membros esquartejados, a túnica embebida em matérias inflamáveis e com elas tecida.” E acrescenta: “Vejo cruzes não todas do mesmo feitio, mas fabricadas de diversos modos; alguns condenados foram suspendidos nelas de cabeça para baixo.”

Vemos assim, descrito por testemunhas irrecusáveis, como foi o martírio desses heróis de Jesus Cristo, que por Ele deram a sua vida.

Terá São Pedro sido martirizado na companhia desta multidão de eleitos? Não há concordância entre os autores antigos sobre a data da sua execução. Mas é certo, segundo confirmaram as escavações realizadas durante o pontificado de Pio XII (1939-1958), que São Pedro encontrou sepultura por baixo do altar papal e da cúpula de Miguel Ângelo. Enquanto São Paulo, decapitado junto da estrada que leva a Óstia, em Tre Fontane, foi sepultado no túmulo de Lucina, existente num cemitério que em boa parte ainda hoje se vê. O local foi consagrado por uma grande basílica constantiniana.


Foto: [Public Domain]

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