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3/9 – São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja

Afirma F. H. Dudden, historiador: “Gregório é certamente uma das mais notáveis figuras da história eclesiástica. Exerceu em vários aspectos uma significativa influência na doutrina, organização e disciplina da Igreja Católica. É para ele que devemos olhar quando procuramos uma explicação para a situação religiosa da Idade Média; com efeito, não se levando em conta o seu trabalho, a evolução da forma da cristandade medieval seria quase inexplicável. E, na medida em que o sistema católico moderno é um legítimo desenvolvimento do catolicismo medieval, Gregório deve também ser chamado seu pai. Quase todos os princípios directivos do catolicismo subsequente se encontram, pelo menos em gérmen, em Gregório Magno” (F. H. Dudden, “Gregory the Great”, The Catholic Encyclopedia, CD Room edition).

Dotado de excepcional inteligência e brilhante memória, Gregório aprendeu com facilidade as letras divinas e humanas. É bem provável que também tenha estudado Direito.

De família senatorial romana, enquanto seu pai foi vivo, Gregório participou na vida do Estado e chegou a ser prefeito de Roma. Com a morte daquele, resolveu retirar-se do mundo e consagrar-se a Deus; isto ocorreu, provavelmente, em 574. Herdeiro de grande fortuna, fundou seis mosteiros na Sicília, além de um em Roma, no seu palácio, com o nome de Santo André; foi neste que tomou o hábito religioso.  A sua caridade para com os pobres era tão grande que foi premiada com vários milagres.

Depois de ter sido, durante seis anos, Delegado Apostólico em Constantinopla, Gregório foi chamado a Roma, provavelmente em 585, sendo então eleito Abade de Santo André. O mosteiro tornou-se famoso pelo seu enérgico abade, podendo-se ler muita coisa edificante sobre ele nos seus Diálogos.

No ano de 590, terríveis inundações, seguidas de peste, assolaram a Cidade Eterna, privando a Igreja do seu chefe, o Papa Pelágio. O clero, o povo e o Senado de Roma escolheram unanimemente para o cargo o diácono Gregório. Ele não queria aceitar, mas por fim acedeu e exerceu o governo da Igreja com firmeza e energia, destacando-se a sua obra na organização do culto e do canto sagrado. Segundo Frei Perez de Urbel, o Papa santo “lutava contra a peste, contra os tremores de terra, contra os bárbaros heréticos e contra os bárbaros idólatras, contra o paganismo morto e infecto, mas insepulto, contra a seu próprio corpo, consumido pelas enfermidades; pode dizer-se que a alma de Gregório era a única inteiramente sã que existia em toda a humanidade”.

Por isso, ele é por muitos considerado o fundador da Idade Média. Pelo seu zelo pela conversão de Inglaterra, é chamado seu Apóstolo. Este Pontífice, a quem a posteridade qualificou de Grande, foi o primeiro Papa a usar o nome de Servo dos Servos de Deus. O grande Papa faleceu no dia 12 de Março de 604, aos 60 anos.


Foto: Juan Andrés Ricci [Public domain]

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