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28/11 – Santa Catarina Labouré, Virgem

Durante muitos anos, ninguém soube como surgiu a Medalha Milagrosa, cuja festa comemorámos ontem. Apenas em 1876 se tornou público que uma humilde religiosa vicentina, falecida nesse ano, e que vivera durante os quarenta e seis anos da sua vida religiosa na mais completa obscuridade, recebera da Mãe de Deus a revelação dessa Medalha. Essa santa é Catarina Labouré.

Catarina nasceu na pequena aldeia de Fain-les-Moutiers, na Borgonha, a 2 de Maio de 1806; era a nona dos onze filhos de Pedro e de Luísa Labouré, agricultores honestos e piedosos. Aos nove anos, perdeu a mãe e pediu a Nossa Senhora que a substituísse.

Catarina queria ser religiosa e, quando estava por decidir em que congregação entrar, sonhou com São Vicente de Paulo, a quem não conhecia, que lhe disse que seria sua filha em religião. E realmente, em Janeiro de 1830, entrou para as Filhas da Caridade, congregação fundada por aquele santo.

Depois de passar pelo postulantado em Chatillon, Catarina foi mandada para o noviciado na casa-mãe das vicentinas, na Rue du Bac, em Paris.

Catarina foi agraciada com muitas visões de São Vicente de Paulo e de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, sendo algumas delas proféticas, a respeito do futuro de França.

Na véspera da festa de São Vicente, ainda em 1830, a mestra de noviças fez uma prelecção sobre a devoção aos santos, e especialmente a Nossa Senhora, que inflamou na irmã Catarina o desejo de ver a Mãe de Deus. Quando foi deitar-se, pegou um pedacinho de uma sobrepeliz de São Vicente, que a Mestra tinha dado como relíquia às noviças, e engoliu-o, julgando que São Vicente poderia alcançar-lhe essa graça.

Às onze e meia da noite, ouviu uma voz de criança, que lhe disse: “Vem à capela. A Santíssima Virgem está à tua espera.”

Catarina foi, e viu a Santíssima Virgem sentar-se numa cadeira no presbitério. Conta-nos a própria: “Ela disse-me como devia proceder com meu director, como devia proceder nas horas de sofrimento e muitas outras coisas que não posso revelar.” Essas coisas que ela não podia revelar diziam respeito a acontecimentos políticos próximos, que teriam lugar em Paris.

No dia 27 de Novembro de 1830, estava Catarina na capela quando ouviu o característico roçagar de um vestido de seda. Olhou para o lado e viu Nossa Senhora vestida de branco, sobre uma meia-esfera; tinha nas mãos uma bola que representava o globo terrestre, e olhava para o Céu.

 “De repente”, narra Catarina, “percebi que tinha uns anéis nos dedos, engastados de pedras brilhantes, umas maiores e mais belas do que as outras, das quais saíam raios que eram, também eles, uns mais belos que os outros.” Nossa Senhora explicou-lhe que esses raios simbolizavam as graças que derramava sobre as pessoas que lhas pediam.

Teve então a visão da Medalha Milagrosa, como dissemos ontem, na festa de Nossa Senhora das Graças.

Catarina perguntou a Nossa Senhora a quem recorrer para a confecção da Medalha, e a Mãe de Deus respondeu-lhe que deveria falar com o seu confessor, o P.e João Maria Aladel: “Ele é meu servidor.”

O P.e Aladel foi falar com o Arcebispo, que em 20 de Junho de 1832 ordenou que fossem cunhadas duas mil medalhas.

Mas em Março de 1832, antes de serem confeccionadas essas primeiras medalhas, uma terrível epidemia de cólera, proveniente da Europa oriental, atingiu Paris. Morreram mais de 18.000 pessoas em poucas semanas; num único dia, chegou a haver 861 mortes.

No fim de Junho, ficaram prontas as primeiras medalhas e começaram a ser distribuídas entre os flagelados. Na mesma hora, a peste refluiu, e tiveram início, em série, os prodígios que em poucos anos tornariam a Medalha Milagrosa mundialmente célebre.

A missão de Catarina Labouré estava cumprida, e ela passou os quarenta e seis anos que lhe restaram de vida como uma humilde irmã, da qual praticamente nada havia para dizer. Só quando se aproximou a sua morte, em 1876, é que a sua superiora soube que fora ela a privilegiada irmã que recebera aquela sublime missão.

Cinquenta e seis anos após sua morte, o corpo de Catarina foi encontrado inteiramente incorrupto, e é como se encontra ainda hoje na capela das Irmãs da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

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