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23/6 – São José Cafasso, Confessor

O santo de hoje nasceu no ano de 1811, em Castelnuevo, Itália, onde também nasceu o grande D. Bosco, no mesmo ano. Uma irmã sua foi mãe de outro santo, São José Alamano, fundador da comunidade dos Padres da Consolata.

Aos 16 anos, entrou para o seminário e vestiu pela primeira vez a sotaina. Assim o descreve D. Bosco, que o conheceu nessa idade: “De pequena estatura, olhos brilhantes, ar afável e rosto angelical.”

José Cafasso era óptimo estudante, e precisou de pedir dispensa para ser ordenado mais cedo que o normal, aos 21 anos, em Setembro de 1833. Mas, em vez de aceitar inúmeros convites de paróquias, quis aprofundar os seus estudos no internato eclesiástico de São Francisco de Assis, em Turim. Passou, pois, alguns anos de intensa formação intelectual e espiritual nessa espécie de academia eclesiástica, sendo nomeado professor da cátedra de Moral. Trabalhou com o Cónego Guala, um dos fundadores do estabelecimento e seu reitor. O seu programa era santificar-se cada vez mais, e auxiliar os outros a também se santificarem. Todos admiravam nele esse empenho de em tudo procurar a maior glória de Deus e a santificação própria e dos outros.

Ao morrer o Cónego Guala, José foi aclamado por unanimidade para o substituir, e manteve esse cargo durante 12 anos, isto é, até à sua morte. Propôs-se como modelos São Francisco de Sales e São Felipe Neri. Muitos diziam que, na jovialidade e uniformidade de espírito, ele muito se assemelhava a esses santos.

O P.e Cafasso combateu tenazmente duas filosofias que haviam então penetrado em Itália: uma defendia que só uma pessoa muito santa deveria aproximar-se dos sacramentos, principalmente da Eucaristia (jansenismo); e a outra centrava-se na justiça de Deus, quase abstraindo da sua misericórdia, sem procurar ver o equilíbrio existente entre esses dois atributos divinos (rigorismo).

Para se contrapor ao jansenismo e ao rigorismo, apresentava a religião sob os seus mais belos aspectos, concebida como um exercício de amor a um Deus de bondade e misericórdia, que padeceu e morreu para nos salvar. Sem descuidar as verdades essenciais, punha o acento nas mais belas e acessíveis ao comum dos cristãos, para que praticassem a virtude.

Levava os seus alunos sacerdotes a visitar os cárceres e os bairros mais pobres da cidade, a fim de despertar neles uma grande sensibilidade para com os deserdados da fortuna.

Quando São João Bosco estava ainda no seminário e não podia prosseguir os seus estudos por falta de recursos, o P.e Cafasso pagou-lhe meia bolsa, e obteve dos dirigentes do seminário que lhe facilitassem a outra metade. E, quando ele se ordenou, custeou-lhe o curso de pós-graduação no internato.

Depois, ajudou-o no seu apostolado com jovens e, mesmo quando todos abandonaram D. Bosco, continuou a ser um seu acérrimo defensor. Também o ajudou na nascente Sociedade Salesiana, sendo considerado pelos salesianos um dos seus grandes benfeitores.

O maior e mais heróico apostolado exercido por José Cafasso era com os condenados à morte. Quando um criminoso recebia a sentença de morte, o sacerdote preparava-o nos dias que a antecediam e depois acompanhava-o até ao lugar do suplício, incutindo-lhe religiosos sentimentos. De 68 condenados que acompanhou assim até o derradeiro suplício, nenhum morreu sem se confessar e se mostrar verdadeiramente arrependido.

Num dos seus sermões sobre Nossa Senhora, São José Cafasso exclama, arrebatado: “Que feliz dita a de morrer num sábado, dia da Virgem, para ser levado por Ela ao Céu!” E realmente essa foi a graça que obteve, falecendo no sábado, 23 de Junho de 1860, aos 49 anos.

José Cafasso foi beatificado por Pio XI, em 3 de Maio de 1925, e canonizado por Pio XII, em 22 de Junho de 1947.


Foto: DR

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