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12/5 – Santa Joana Princesa, Virgem

Esta princesa da Casa de Avis, embora seja chamada Santa Joana Princesa, não foi oficialmente canonizada pela Igreja, sendo apenas beata. Mas a piedade do povo chama-lhe carinhosamente santa, enquanto aguarda o pronunciamento da Sé de Pedro.

Joana era filha de Afonso V, o Africano, e de sua esposa, D. Isabel, e nasceu no dia 6 de Fevereiro do ano de 1452, em Lisboa. Desde criança, Joana demonstrou gosto pelas coisas de Deus, recolhendo-se num oratório, onde lia e meditava nas coisas  celestes.

Sua mãe faleceu quando a princesa tinha 14 anos. Seu pai, D. Afonso, conhecendo o grande talento da filha, ordenou que nada se alterasse no governo da casa real, ficando a princesa a substituir sua falecida mãe. A beata soube aproveitar a nova situação para se entregar com mais liberdade à prática da penitência: usava por debaixo das vestes reais uma túnica de tecido áspero, juntamente com um cilício; e jejuava muitos dias a pão e água, particularmente às sextas-feiras, empregando vários meios para dissimular a sua abstinência.

Os pobres tinham nela uma protectora desvelada; encarregou um súbdito muito virtuoso de distribuir esmolas, e tinha um livro com os nomes dos necessitados, o grau de pobreza de cada um e o dia em que deveria dar-lhe esmola. Na Quinta-feira Santa, mandava chamar 12 mulheres pobres, das mais desamparadas, e, depois de lhes ter lavado os pés, despedia-as com roupa nova e dinheiro.

A princesa Joana exerceu a regência do reino quando seu pai partiu, à frente de uma esquadra, à conquista de Arzila e Tânger, em África.

A formosura desta princesa era tanta que, segundo afirma Frei Luís de Souza, vieram pintores de outras nações para a retratar, num tempo em que qualquer príncipe desejava para esposa uma princesa estrangeira. Joana recusou várias propostas de casamento, inclusive de Carlos VIII de França. Em 1485, recebeu uma proposta de casamento do recém-viúvo Ricardo III de Inglaterra, que era apenas oito meses mais novo que ela; a boda seria parte de uma aliança onde estava incluido o casamento da sobrinha daquele rei, Isabel de Iorque, com seu primo, o futuro D. Manuel I. No entanto, a morte de Ricardo em combate, da qual Joana teve um sonho profético, suspendeu esses planos.

A princesa estava desejosa de se consagrar a Deus na Ordem Dominicana. Para tal, precisava de vencer a resistência do pai e do irmão, o futuro D. João II, que desejavam um casamento vantajoso para ela. Aproveitou, pois, a vitória do rei em África para lhe pedir que, assim como os monarcas da antiguidade ofereciam sacrifícios aos deuses quando alcançavam uma vitória, também Afonso V oferecesse a Deus o sacrifício da sua única filha. O rei, muito dado aos filhos, não pôde negar tal pedido. No entanto, Joana teve de esperar até que seu irmão tivesse um herdeiro, para que a linha da família não corresse risco de extinção. Ainda assim, foi por várias vezes obrigada a deixar o convento e voltar à corte para exercer a regência.

A princesa Joana, depois de estar algum tempo no mosteiro de Odivelas, em 1475 partiu para o convento dominicano de Jesus, em Aveiro, onde recebeu o hábito de noviça.

Caindo gravemente enferma, o rei mandou que tirasse o hábito. Consultado o vigário geral dos Dominicanos em Portugal e vários teólogos, estes foram de parecer que ela não devia professar, por causa dos seus poucos anos. Estando reunida a comunidade, a beata declarou à priora que, por obediência, desistia da profissão. Tirou o hábito e colocou-o sobre o altar. Algumas horas depois, tornou a vesti-lo, dizendo que, dali para a frente, o usaria por devoção; embora não estivesse obrigada à regra, cumpri-la-ia com todo o esmero.

Em 1479, o país foi assolado pela peste, que atingiu Aveiro. O rei, vendo o perigo em que estava a filha, ordenou-lhe que saísse do convento e da cidade. Ela dirigiu-se então para o Alentejo, regressando ao convento 11 meses depois. Passados 2 anos, perdia o pai, o que foi um rude golpe para a alma amante da filha.

Finalmente, em 1489, Joana começou a ter uma febre contínua, que foi piorando, e reconheceu que a sua peregrinação nesta Terra estava a chegar ao fim. Com efeito, no dia 12 de Maio, entregou a sua alma virginal ao Criador. Joana foi beatificada em 1693, pelo Papa Inocêncio XII.

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