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11/6 – São Barnabé, Mártir

Nos primeiros dias da Igreja o fervor dos cristãos era tão grande que eles renunciavam aos seus bens, colocando-os à disposição dos Apóstolos, para que os utilizassem em proveito de toda a comunidade: “Repartia-se então a cada um deles conforme as suas necessidades” (Act 4, 35).

Entre esses generosos cristãos, destacava-se um, razão pela qual é nomeado especificamente por São Lucas: “Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo. Vendeu-o, trouxe o produto e depositou-o aos pés dos Apóstolos” (Act 4, 36-37).

Segundo uma tradição oriental, Barnabé, tendo-se radicado em Jerusalém, ouviu Nosso Senhor pregar no Templo e ficou seduzido pela sua doutrina. Terá também presenciado o milagre da piscina probática, que o confirmou na fé.

Este que, apesar de não ser dos Doze, mereceu pelo seu zelo e os seus conselhos ser chamado Apóstolo, era grave, como diz São Lucas, “homem bom e cheio do Espírito Santo” (Act 11, 24). Por isso, era tido em muita consideração nos tempos apostólicos.

Quando São Paulo, convertido, foi ter com os Apóstolos a Jerusalém, estes evitaram a sua presença, pois ninguém podia crer que esse perseguidor de cristãos fosse agora um deles.

Barnabé, contudo, segundo a tradição, conhecera Saulo na escola de Gamaliel, e o Apóstolo dos Gentios deve ter-lhe contado todos os pormenores da sua conversão. Convencido da sinceridade de seu ex-condiscípulo, São Barnabé serviu-lhe de “anjo da guarda” junto aos Apóstolos.

Ocorreu então que, disseminados pela perseguição que se seguiu ao martírio de Santo Estevão, os fiéis iam difundindo por toda parte a semente da palavra divina. Desse modo, alguns deles, “de Chipre e de Cirene”, foram para Antioquia, onde pregaram a boa nova da salvação: “A mão do Senhor estava com eles, e grande foi o número dos que receberam a fé e se converteram ao Senhor” (Act 11, 21). As notícias desse sucesso chegaram aos ouvidos dos Apóstolos, que enviaram Barnabé para verificar o espírito que presidia a essa nova cristandade.

Lá chegando, São Barnabé “alegrou-se, vendo a graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé” (Act 11, 23).

Humilde, este apóstolo não se julgou apto para sozinho orientar os novos cristãos. Lembrou-se então de Saulo, a quem foi buscar a Tarso, para ser seu companheiro de apostolado. Os dois permaneceram um ano em Antioquia, cuja Igreja foi a primeira a desligar-se do solo materno do judaísmo, e onde os discípulos do Nazareno começaram a ser chamados “cristãos”.

Os dois apóstolos continuavam a dirigir com fervor a cristandade de Antioquia quando certo dia, “enquanto celebravam a liturgia em honra do Senhor e guardavam os jejuns, o Espírito Santo lhes disse: ‘Segregai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamo.’” Essa obra era a primeira viagem apostólica (Act 13,2).

Os dois Apóstolos tomaram consigo João Marcos e partiram para a grande aventura apostólica descrita nos Actos dos Apóstolos. Retornaram a Antioquia da Síria após quatro anos de ausência (Act 14, 23-26), tendo “aberto para os pagãos a porta da fé” (Act 14, 27).

São Paulo e São Barnabé permaneceram em Antioquia “com muitos outros”, pregando o Evangelho, até ao dia em que o primeiro propôs ao segundo que voltassem a visitar as cristandades por eles fundadas (Act 15,36).

Surgiu aí uma divergência entre os dois santos: São Barnabé queria levar de novo João Marcos. São Paulo opôs-se, pois o rapaz tinha-os abandonado na Panfília sem explicações. “Produziu-se certo dissentimento, de sorte que se separaram um do outro” diz São Lucas (Act 15,19). E São Jerónimo acrescenta: “Paulo, mais severo, Barnabé, mais clemente, cada um insiste no seu parecer. A discussão tem algo da humana fragilidade.”

São Barnabé partiu só com João Marcos para a Selêucia, e São Paulo, levando consigo Silas (também chamado Silvano), da Igreja de Jerusalém (cf. 1Ped 5, 12), percorreu a Síria e a Cilícia nessa segunda viagem apostólica (Act 15, 41).

O incidente com São Barnabé foi rapidamente esquecido, tanto por São Paulo quanto por São Marcos. De tal modo que, mais adiante, eles estão novamente juntos, pois o Apóstolo escreveu a Timóteo: “Traz-me Marcos contigo, pois é-me muito útil para o ministério” (2Tim 2,11).

A partir deste momento, São Barnabé desaparece dos livros sagrados, dando lugar a São Paulo.

Segundo uma tradição antiga, São Barnabé morreu em Chipre, em cuja capital, Salamina, o seu corpo foi encontrado em 488. A sua festa comemora-se nesse dia.

A glória de São Barnabé consiste em ter descoberto o mérito extraordinário de São Paulo, e o ter apresentado à Igreja-mãe de Jerusalém. Só por isso merece a veneração e o reconhecimento de todos os cristãos.


Foto: DR

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