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1/9 – Santo Egídio, Abade

Existem vários bem-aventurados com o nome Egídio entre os Franciscanos. O mais conhecido entre eles, celebrado a 23 de Abril, é o amigo de São Francisco, o cândido Frei Egídio, que da sua origem de camponês tinha conservado a operosidade e a sabedoria, constantemente invadida pela perfeita alegria e pelo dom da penetração. O santo de hoje, muito popular em  França, não pertence à família franciscana, uma vez que viveu muitos anos antes de São Francisco.

Não se sabe ao certo quando viveu o Abade Egídio. Alguns historiadores identificam-no com o Egídio mandado a Roma por São Cesário de Arles no início do século vi, outros colocam-no um século e meio mais tarde e outros ainda datam a sua morte de entre 720 e 740. Neste caso, a lenda não nos vem ajudar, pois entre os vários episódios da vida do santo encontramos aquele que é ilustrado por dois vitrais e uma escultura do portal da Catedral de Chartres, em que Santo Egídio aparece a celebrar missa e obtendo para o Imperador Carlos Magno (768-814) o perdão de um pecado que ele não tinha ousado confessar a nenhum sacerdote.

O túmulo do santo, venerado numa abadia da região de Nîmes, remonta provavelmente à época merovíngia, embora a inscrição não seja anterior ao século x, data em que foi também composta a vida do santo abade.

Entre as narrações que mais têm contribuído para a popularidade do santo, está a da corça enviada por Deus para levar leite ao piedoso eremita, que havia muitos anos vivia num bosque, distante do convívio humano. Um dia, a benéfica corça envolveu-se numa caçada onde estava o rei em pessoa. O caçador real perseguiu a presa e, ao lançar a seta, não percebeu que o amedrontado animal já estava aos pés do eremita; deste modo, o projéctil destinado ao manso quadrúpede feriu, ainda que ao de leve, o piedoso anacoreta. O incidente teve uma sequência que facilmente intuímos: o rei tornou-se amigo de Egídio e obteve o seu perdão dando-lhe de presente todo aquele terreno, no qual mais tarde surgiu uma grande abadia. Aqui, o bom ermitão, em troca da solidão irremediavelmente perdida, teve o conforto de ver prosperar uma activa comunidade de monges, dos quais foi abade.

Numerosos são os testemunhos do seu culto em França, na Bélgica e na Holanda, onde é invocado contra as convulsões da febre, o medo e a loucura.


Foto: Master of Saint Giles [Public domain]

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