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9/3 – São Domingos Sávio, Confessor

Este santo, aluno de São João Bosco, que faleceu com apenas 15 anos, aliou uma inocência e pureza angélicas à sabedoria de homem maduro, alcançando a heroicidade das virtudes.

O primeiro e mais abalizado biógrafo de São Domingos Sávio foi o seu director espiritual e mestre, o grande São João Bosco. Foi dele que extraímos os dados para este artigo.

Filho de Carlos Sávio e de Brígida Agagliate, Domingos Sávio nasceu em Riva, vila de Castelnuovo de Asti, em 2 de Abril de 1842.

Desde pequeno foi dotado “de uma índole doce e de um coração formado para a piedade; aprendeu com extraordinária facilidade as orações da manhã e da noite, que já rezava quando tinha apenas 4 anos”.

Certo dia, durante um almoço em sua casa oferecido a um visitante, não tendo este rezado antes de começar a comer, Domingos pegou no seu prato e retirou-se para um canto. Mais tarde, seu pai perguntou-lhe porque fizera aquilo, e ele respondeu: “Não me atrevo a pôr-me à mesa com uma pessoa que começa a comer como fazem os bichos.”

Quando tinha 5 anos, ia à igreja com sua mãe e sua atitude devota chamava a atenção de todos. Se o templo ainda estava fechado, ajoelhava-se junto à porta, e aí ficava a rezar até que ele fosse aberto, não lhe importando se chovia ou nevava, se fazia calor ou frio.

Chegado o tempo de aprender as primeiras letras, “como estava dotado de muito engenho e era muito diligente no cumprimento dos seus deveres, fez em breve tempo notáveis progressos nos estudos”. Evitava os meninos arruaceiros e só fazia amizade com os pacíficos e de boa conduta.

Domingos confessava-se frequentemente. Logo que soube distinguir entre “o pão celestial e o terreno”, aos 7 anos, foi admitido à Primeira Comunhão, embora a idade mínima para tal fosse, à época, os 12 anos. Pode-se perceber a sua maturidade pelos propósitos que deixou registados nesse dia:

“Propósitos que eu, Domingos Sávio, me propus no ano de 1849, quando fiz a Primeira Comunhão, aos 7 anos:

1.º Confessar-me-ei muito amiúde e receberei a Sagrada Comunhão sempre que o confessor me permita;

2.º Quero santificar os dias de festa.

3.º Os meus amigos serão Jesus e Maria.

4.º Antes morrer que pecar”.

Terminada a escola primária em Mondonio, para onde se havia mudado, Domingos tinha de ir até Castelnuovo duas vezes por dia, o que representava uma caminhada de quase 20 km diários. Para um menino de 10 anos, e franzino de compleição, era um esforço grande. Mas, movido pelo desejo de estudar para abraçar o sacerdócio, fazia alegremente esse sacrifício.

Em 1854, Dom Bosco foi procurado por Dom Cugliero, professor de Domingos, “para falar-me de um seu aluno digno de particular atenção pelo seu engenho e piedade: – Aqui nesta casa [o Oratório de Dom Bosco] é possível que tenhas jovens que o igualem, mas dificilmente haverá quem o supere em talento e virtude. Observa-o e verás que é um São Luís”.

Foi nessa ocasião que Dom Bosco tomou conhecimento de Domingos Sávio, que contava 12 anos, e descreve-o desta maneira: “Era Domingos algo débil e delicado de compleição, de aspecto grave e ao mesmo tempo doce, com um não sei quê de agradável seriedade. Era afável e de aprazível condição, e de humor sempre igual. Guardava constantemente, na classe e fora dela, na igreja e em toda a parte, tal compostura, que o mestre sentia a mais agradável impressão somente com vê-lo e falar-lhe.”

A devoção do pequeno Domingos a Nossa Senhora era extrema. No dia 8 de Dezembro de 1854, ano da proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo Bem-aventurado Papa Pio IX, ante o altar da Virgem, renovou os seus propósitos da Primeira Comunhão e fez esta oração: “Maria, eu vos dou o meu coração; fazei com que seja vosso. Jesus e Maria, sede sempre meus amigos; mas, por vosso amor, fazei com que eu morra mil vezes antes que tenha a desgraça de cometer um só pecado.”

Esse horror ao pecado era muito vivo em Domingos, que costumava dizer: “Quero declarar guerra de morte ao pecado mortal!”

Seis meses após a sua entrada no Oratório, Dom Bosco fez aos alunos uma prelecção sobre o dever que todos têm de ser santos, e a facilidade que há nisso, caso se busque em todas as coisas a vontade de Deus com toda simplicidade. Isso inflamou Domingos Sávio, que foi procurá-lo e lhe disse: “Quero dizer-vos que sinto o desejo e a necessidade de me fazer santo. Nunca teria imaginado que se pudesse chegar a ser santo com tanta facilidade; mas, agora que vi que se pode muito bem chegar a ser santo estando sempre alegre, quero absolutamente e tenho absoluta necessidade de ser santo.”

Domingos transformou esse conselho num programa de vida, tornando-se um batalhador. Não deixava passar ocasião de dar bons conselhos e advertir quem dissesse ou fizesse coisas contrárias à santa lei de Deus, exclamando: “Que feliz seria se pudesse ganhar para Deus todos os meus companheiros!”

São Domingos Sávio faleceu santamente no dia 9 de Março de 1857, aos 15 anos. Dom Bosco tinha tanta certeza da sua santidade e futura canonização que, num epitáfio que lhe escreveu, dizia: “Os que, havendo experimentado os efeitos da sua celestial protecção, esperam, gratos e ansiosos, a palavra do oráculo infalível da nossa Santa Mãe, a Igreja.”


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