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4/6 – São Francisco de Caracciolo, Confessor

Deus Nosso Senhor suscitou, no século xvi, várias ordens religiosas para fazer frente à heresia protestante e à decadência de costumes. Uma delas foi a dos Clérigos Regulares Menores, fundada por São Francisco Caracciolo e pelo venerável João Agostinho Adorno para o cuidado das paróquias, cujos membros levavam vida conventual.

Ascânio Caracciolo nasceu no dia 13 de Outubro de 1563, em Vila Santa Maria, no reino de Nápoles, numa ilustre família da nobreza local. Desde pequeno destacou-se pela sua extrema gentileza, rectidão, amor à penitência, terna devoção à Santíssima Virgem e amor aos pobres. Mal aprendeu a ler, começou a rezar diariamente o pequeno ofício de Nossa Senhora e o terço, e a jejuar aos sábados em sua honra.

Na adolescência, a fim de ocupar o tempo e evitar a ociosidade, Ascânio dedicava-se à caça e a outros exercícios corporais. Com isso, também cansava o corpo, para vencer a concupiscência da carne e manter uma pureza ilibada.

Não havia ainda escolhido um estado de vida quando, aos 22 anos, contraiu violenta lepra, que lhe provocou uma chaga no estômago, colocando-o em risco de morrer. Ascânio sentiu na própria pele quão frágil e efémera é a vida, e começou a pensar na eternidade. Prometeu então a Deus Nosso Senhor consagrar-Lhe o resto dos seus dias se fosse curado. Era esse o beneplácito divino, pois a cura foi tão milagrosa, pronta e eficaz, que não lhe restou no corpo nenhuma marca da mortal doença.

Ascânio comunicou a seus pais a resolução que tomara e, de posse da sua parte da herança paterna, distribuiu-a aos pobres e partiu para Nápoles, a fim de iniciar os estudos eclesiásticos. Em 1587, graças à sua portentosa inteligência e aplicação, foi ordenado sacerdote.

Havia então em Nápoles uma benemérita confraria chamada dos Penitentes Brancos, cujos membros se dedicavam particularmente a preparar os condenados para a morte, a auxiliar espiritual e materialmente os cativos e condenados às galés, e a evangelizar os pobres e os necessitados. O santo ingressou nessa confraria, dedicando parte do seu tempo a esse apostolado até ao fim de seus dias.

Entretanto o P.e Ascânio suplicava muito a Deus que lhe fizesse conhecer o que queria dele, pois sentia que ainda não havia encontrado a sua verdadeira vocação. Certo dia de 1588, recebeu uma carta que mudaria a sua vida; era um pedido para que fosse à residência de outro sacerdote tratar de um negócio importante. Assim fez, e encontrou o P.e João Agostinho Adorno, de ilustre família de Génova, que tinha abandonado o mundo e desejava fundar uma ordem religiosa que unisse a vida ativa à contemplativa. O mais extraordinário é que a carta era dirigida a outro destinatário com o mesmo nome e fora entregue por engano ao nosso Ascânio.

Com os dois remetentes, foi ao ermo de Camaldoli para a elaboração da Regra, que o Papa Xisto V aprovou a 1 de Julho de 1588. Um ano depois, Ascânio Caracciolo emitia os votos religiosos, assumindo o nome de Francisco. A Francisco Caracciolo se deve a introdução de um quarto voto, além dos comuns de pobreza, castidade e obediência: o de não aceitar dignidade eclesiástica alguma.

Em Setembro de 1591, João Agostinho Adorno faleceu em odor de santidade com apenas 40 anos e São Francisco foi escolhido por unanimidade para Superior Geral dos Clérigos Regulares Menores.

Estando em oração durante a noite na Santa Casa de Loreto, viu-se de repente rodeado por uma claridade celeste, e apareceu-lhe Agostinho Adorno resplandecente de luz: “Caríssimo irmão, sou mensageiro de Maria para te dizer, da parte dessa bondosa Mãe, que Ela cobre amorosamente com o seu manto a nossa família, convertendo-se desde já em sua Protectora e Advogada. E deu-me outro encargo: dizer-te que dentro de poucos dias serás chamado à bem-aventurança eterna.”

Pouco depois, o santo foi acometido por uma febre, que se foi intensificando, vindo a falecer no dia 4 de Junho de 1608, aos 44 anos. Beatificado por Clemente XIV em 10 de Setembro de 1769, Pio VII canonizou-o em 27 de Maio de 1807.


Foto: IPCO

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