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30/9 – São Jerónimo, Doutor da Igreja

A vida de São Jerónimo é tão extraordinária que se torna impossível resumi-la em poucas palavras. Dele diz o eminente jesuíta P.e Pedro de Ribadaneira, discípulo e biógrafo de Santo Inácio de Loyola: “Foi nobre, rico, de grande engenho, eloquentíssimo; sapientíssimo nas línguas e ciências humanas e divinas; na vida, espelho de penitência e santidade; luz da Igreja e singular intérprete da divina Escritura, martelo dos hereges, amparo dos católicos, mestre de todos os estados e condições de vida, e luzeiro do mundo”.

São Jerónimo nasceu em Stridon, na Dalmácia, cerca do ano de 340. Dotado de precoces aptidões para o estudo, o pai enviou-o, quando adolescente, para Roma, que era então a capital do mundo civilizado.

Na Cidade Eterna, Jerónimo dedicou-se ao estudo da gramática, da retórica e da filosofia. Tal era o seu amor pelos escritores clássicos que formou para si rica biblioteca, copiando à mão os livros que não podia obter.

Conforme o costume na época, foi baptizado aos 20 anos, pelo Papa Libério. Depois de alguns anos de vida de recolhimento num deserto da Síria, foi ordenado sacerdote em Antioquia.

Em Roma, serviu de secretário ao Papa São Damaso, a pedido de quem traduziu a Sagrada Bíblia, produzindo a versão conhecida como Vulgata, que a Igreja adoptou como sua versão oficial. Ainda em Roma, também dirigiu espiritualmente várias damas da nobreza, chegando algumas às honras dos altares.

Em 384, São Dâmaso faleceu, e os inimigos de São Jerónimo iniciaram uma campanha de difamação que fez com que o santo deixasse definitivamente Roma e se estabelecesse na Terra Santa, em Belém. Santa Paula e sua filha Eudóxia seguiram-no; com o rico património de que dispunham, fundaram, sob a direcção do santo, um mosteiro masculino e outro feminino, este dirigido pela própria Santa Paula.

São Jerónimo passou os 34 anos que viveu em Belém a escrever obras notáveis, combatendo os hereges e dirigindo, por correspondência, inúmeras almas.

Por um mal-entendido, teve um princípio de polémica com outro grande Doutor da Igreja, Santo Agostinho; mas, restabelecidas as coisas no seu lugar, uniu-os uma amizade cheia de respeito. São Jerónimo dizia que Santo Agostinho era “seu filho em idade e seu pai em dignidade”, uma vez que era bispo. Por seu lado, o Bispo de Hipona escreveu-lhe: “Li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que quereria, para aproveitar nos meus estudos, poder estar sempre ao vosso lado”.

Até à morte, em 419 ou 420, ocupou-se de grandes obras literárias e de polémicas violentas. O seu grande saber, os seus comentários à Sagrada Escritura e o vigor com que combateu as heresias valeram-lhe o título de Doutor da Igreja.

O empenho insuperável de São Jerónimo na tradução das Escrituras foi por ele mesmo assim descrito: “Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos de Cristo, que diz: ‘Examinai as Escrituras’ e ‘Procurai e encontrareis’, para que não tenhais de ouvir o que foi dito aos judeus: ‘Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus’. Se, de facto, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria. Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”.

São Jerónimo faleceu no dia 30 de Setembro do ano de 420, muito avançado em idade e virtude. No mesmo dia, aparecia a Santo Agostinho e desvendava-lhe o estado das almas bem-aventuradas no Céu.


Foto: Caravaggio [Public domain]

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