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27/3 – São Ruperto, Bispo e Confessor

Primeiro Bispo de Salzburgo, contemporâneo de Childeberto III, Rei dos Francos (695-711), a data de seu nascimento é desconhecida. De acordo com uma antiga tradição, descendia da família real merovíngia franca, e dos Rupertinos, uma importante família que dominava com o título de conde a região do médio e do alto Reno. Desta família nasceu também outro santo, São Roberto (ou Ruperto) de Bingen, cuja vida foi escrita por Santa Hildegarda. Os Rupertinos eram parentes dos Carolíngios, e o centro das suas actividades era Worms. Foi aí que São Ruperto recebeu a sua formação, de cunho monástico irlandês.

De acordo com a sua mais antiga biografia, era notado pela sua simplicidade, prudência e temor de Deus, amava a verdade nos seus discursos, tinha recta opinião, era cauto nos conselhos, enérgico na acção, liberal na caridade, e em toda sua conduta um glorioso modelo de rectidão.

Quando Ruperto era Bispo de Worms, a fama do seu saber e piedade atraía pessoas de todos os quadrantes. Deste modo, a notícia das suas qualidades chegou ao Duque Theodo II da Baviera, região que era ainda meio pagã. O duque era o chefe do movimento eclesiástico nos seus domínios; por isso, enviou mensageiros ao santo, pedindo-lhe que fosse ao seu país fazer reviver, confirmar e propagar o espírito do cristianismo. Porque, apesar do labor dos primeiros missionários, a Baviera era só superficialmente católica, e uma parte dos cristãos pertencia à heresia ariana. Por outro lado, os costumes e modos de ser dos pagãos, que eram uma boa parte da população, haviam contaminado os cristãos, e os seus hábitos e modos de ser estavam estreitamente interligados com os actos externos do cristianismo.

São Ruperto atendeu ao pedido de Theodo após ter-se familiarizado com a terra e o povo da Baviera, e foi recebido na antiga cidade de Ratisbona com grande honra e cerimónia pelo Duque, no ano de 696.

O Bispo pôs imediatamente mãos à obra, missionando, com os seus auxiliares desde o território do Danúbio até os limites da Panónia. Atingiu Lorch, para de lá se encaminhar para as isoladas margens do Wallersee, onde construiu uma igreja em louvor de São Pedro.

O santo pediu a Theodo um território da antiga cidade romana de Juvavum, para erigir um mosteiro e uma sede episcopal. Esse é o mais antigo mosteiro da Áustria, e veio a ser o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo.

Para essa obra, São Ruperto teve o apoio de 12 concidadãos, 2 dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Ao lado desse mosteiro, fundou um mosteiro feminino, cuja direcção entregou à sobrinha, a abadessa Erentrudes. Deste modo, o santo foi o responsável pela conversão da Baviera e da Áustria.

Depois de uma vida de extraordinária e bem sucedida actividade, São Rupoerto morreu em Salzburgo – cidade imortalizada por Wolfgang Amadeus Mozart, seu ilustre filho –, auxiliado pelas preces dos seus irmãos na Ordem, no Domingo de Páscoa, 27 de Março de 718. O seu corpo repousou em Sant Peterskirche até 24 de Setembro de 774, altura em que o seu discípulo e sucessor, o abade e bispo São Virgílio, cedeu parte de seus restos mortais à catedral de Salzburgo.

São Ruperto é, pois, reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é “cidade do sal”, aparecendo retratado com um saleiro na mão. Foi o seu primeiro bispo, e a sua influência alastrou tanto, que é festejado não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou e onde foi tomado como modelo pelos monges irlandeses.


Foto: School of Paul Troger [Public domain]

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