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21/8 – São Pio X, Papa e Confessor

Quando faleceu Leão XIII, em 1903, a expectativa foi geral: quem seria chamado a guiar a barca de Pedro naqueles tempos tão conturbados?

O mundo estava febrilmente contagiado pelo liberalismo anticlerical, um dos muitos perniciosos frutos da Revolução Francesa, que tornava tensas as relações entre a Sé Apostólica e as várias nações europeias. A Revolução Industrial, por sua vez, criava situações propícias à propaganda, no meio proletário nascente, dos princípios marxistas da luta de classes e do anarquismo.

Mesmo nas nações católicas, a situação era crítica. Em Itália, por exemplo, um governo usurpador e violento tinha privado o Romano Pontífice dos seus Estados, confinando-o ao Vaticano, e criava empecilhos à acção católica. Portugal via-se às voltas com a fermentação revolucionária, que haveria de culminar, em 1908, no assassinato do Rei D. Carlos I e do príncipe herdeiro, na proclamação da república, dois anos mais tarde, e numa série de medidas contra a Igreja.

Sobretudo, no próprio interior da Igreja a situação era grave: erros filosóficos muito em voga, como o naturalismo, o racionalismo e o cientificismo, a par de um forte liberalismo, influenciavam extensamente a teologia e deturpavam a fé, ao mesmo tempo que esfriavam nas almas o amor de Deus.

Para fazer face a esse terrível panorama, tornava-se necessário o advento de um Papa que se colocasse entre os maiores da História da Igreja. Por obra do Divino Espírito Santo, que não abandona a Igreja, sua Esposa Mística, e a rogos de Maria Santíssima, o mundo teve o Pontífice de que necessitava: José Melchior Sarto, Patriarca de Veneza, eleito com o nome de Pio X.

José Melchior Sarto nasceu no dia 2 de Junho de 1835, em Riese, no norte de Itália. Recebeu a ordenação sacerdotal em 1858, sendo coadjutor de Tombolo em 1867 e a seguir pároco e arcipreste da mesma localidade, em 1875 Cónego de Treviso, em 1879 Vigário-geral da diocese, Bispo de Mântua em 1880, e em 1893 Cardeal de Veneza. Foi eleito Papa em 1903, e faleceu no dia 20 de Agosto de 1914, nas vésperas da Primeira Grande Guerra.

Não cabe aqui analisar o pontificado de São Pio X, para constatar como seguiu à risca seu programa de “Instaurar tudo em Cristo”. Dizia José Sarto: “No dia em que em cada cidade e em cada aldeia a Lei do Senhor for cuidadosamente guardada, nada mais faltará para que contemplemos a restauração de todas as coisas em Cristo”. Com isso, “os interesses temporais e a prosperidade pública” também serão afectados, e haverá na terra “a paz de Cristo, no Reino de Cristo”.

Para se ter uma ideia da extensão do seu labor para o bem da Igreja, basta pensar no trabalho monumental de recodificação do Direito Canónico – que durou todo o seu pontificado, sendo o novo código promulgado só no pontificado de Bento XV –, na fundação do Instituto Bíblico, na reforma da Cúria Romana, na instituição da Acta Apostolicae Sedis, noticiário oficial do Vaticano, na reforma do Breviário Romano, em normas dadas para a disciplina e reforma do clero, além de todas as medidas tomadas para facilitar a comunhão frequente dos fiéis, antecipar a Primeira Comunhão das crianças, regulamentar a comunhão dos enfermos, elaborar adequadamente o Catecismo, orientar o cântico litúrgico, etc.

Mas foi a seita modernista – por ele qualificada de “síntese de todas as heresias” –, entretanto infiltrada no seio da Igreja, a que mais fez sofrer e mais preocupações causou ao Pontífice, devido à sua profunda nocividade e subtileza. Além de numerosos actos, três importantes documentos emanaram do Papa para condená-la: o decreto Lamentabili Sane Exitu, de 4 de Julho de 1907, que condena 65 proposições modernistas; a encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 8 de Setembro do mesmo ano, a mais longa de São Pio X, dada a delicadeza da matéria, na qual condena directamente o modernismo; e, finalmente, o motu proprio Praestantia Scripturae Sacrae, de 18 de Novembro do mesmo ano.

São Pio X foi elevado à honra dos altares por Pio XII, em 1954.


Foto: DR

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