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17/8 – Santa Beatriz da Silva, Virgem

Filha de Rui Gomes da Silva e de Isabel de Meneses, Beatriz nasceu na vila de Campo Maior, no Alentejo, junto à fronteira com Espanha, em 1424 ou pouco depois . O seu pai foi alcaide-mor de Campo Maior e Ouguela. A sua mãe era filha de Dom Pedro de Meneses, que foi governador de Ceuta, conquistada aos mouros pelos portugueses em 1415. Os seus pais pertenciam à melhor nobreza de Portugal, sendo a sua mãe aparentada com a família real.

Oitavo fruto de um total de doze filhos, Beatriz distinguia-se pela sua rara beleza de corpo e de alma. Passou a infância e a adolescência no solar da família em Campo Maior, cercada pelo carinho dos seus pais, que a educaram num profundo espírito católico, sob a influência dos frades franciscanos, ainda nos seus melhores dias. Um dos seus irmãos é o bem-aventurado Amadeu da Silva, fundador de um ramo dos franciscanos, hoje extinto. 

Prima de Dona Isabel de Portugal, filha do Rei Dom Duarte, Beatriz, no frescor dos seus 20 anos, foi convidada para ser aia da futura Rainha de Castela. Acompanhou-a à Corte em Lisboa e depois em Espanha, quando Dom João II de Castela tomou a princesa real portuguesa como esposa em segundas núpcias.   

O Rei de Castela estabeleceu a sua Corte em Tordesilhas. Beatriz era até então uma companhia inseparável da sua prima Dona Isabel, cujos excessos temperamentais só a jovem dama conseguia moderar. Dona Isabel, por sua vez, enchia-se de fervor e satisfação vendo a sua prima brilhar entre as Senhoras e Damas castelhanas.

No ambiente mundano da Corte, Beatriz era como lírio transplantado no lodo. Depressa a sua beleza, graça, nobreza e doçura lhe valeram o lugar de favorita, atraindo muitos pretendentes que a pediram em casamento. Beatriz recusou sempre tais propostas.

Compreende-se como tais qualidades podiam provocar facilmente inveja ou ciúmes. E a própria rainha foi picada pelo ciúme devido às atenções que o Rei dava à dama de honra da Rainha. Tomada de um furor satânico, Dona Isabel não hesitou em encerrar a sua prima num cofre, para que aí morresse asfixiada!

Beatriz fora sepultada viva! Mas naqueles três dias em que permaneceu naquela prisão escura apareceu-lhe a Virgem Santíssima com o Menino Jesus nos braços. Vestia um hábito branco com escapulário da mesma cor, e a cobri-la um manto azul. E disse: “Minha filha, vês os hábitos que trago? Pois bem. No fim de três dias serás livre desta prisão e fundarás uma Ordem religiosa em louvor à minha Conceição Imaculada”.

O desaparecimento de Beatriz causou grande preocupação ao seu tio Dom João de Meneses, que também se encontrava na Corte de Tordesilhas, a serviço do Rei de Castela, pois ele conhecia o grande ciúme que a rainha nutria pela sua sobrinha e temia o pior. Interrogou, pois, Dona Isabel a respeito do paradeiro de Dona Beatriz.

A Rainha respondeu-lhe que fosse vê-la. E levou-o ao sítio onde a deixara encerrada, certa de que a encontraria morta. Mas, ao abrir o cofre, que surpresa: viva, Dona Beatriz parece mais bela do que nunca! Assombrada, a Rainha não atina o que dizer e não quer dar crédito ao que vêem os seus próprios olhos! Cheia de espanto, a rainha resolve então dar licença e liberdade à sua dama de viver onde mais fosse da sua vontade.

Beatriz decidiu então renunciar a tudo o que a pudesse ligar ao mundo. Abandonando a Corte de Castela, partiu rumo a Toledo, para encerrar-se no Mosteiro de São Domingos o Real, e aí preparar-se para a missão que a Virgem Santíssima lhe havia confiado.

Isabel de Castela tivera uma filha do mesmo nome, que a própria Beatriz chegou a embalar nos seus braços antes que a ciumenta Rainha atentasse contra a sua vida. Essa criança veio a ser Isabel a Católica, soberana de grande virtude. Isabel a Católica foi visitar a sua prima Beatriz a Toledo e esta expôs à Rainha os seus planos de fundação de uma nova ordem religiosa, pedindo a sua ajuda.

A Rainha ofereceu-lhe então os Palácios de Galiana (antiga Casa da Moeda) e a igreja de Santa Fé, ao lado, para abrigar a nova ordem religiosa, emitida em 1489. E tomou pessoalmente o encargo de pedir e obter do Papa reinante a Bula de aprovação da Ordem. A Rainha tornou-se assim a grande benfeitora e co-fundadora das concepcionistas.

Pouco tempo depois de aprovada a Ordem e a profissão religiosa de Madre Beatriz e suas primeiras religiosas em Toledo, a Fundadora adoece gravemente e declara ao seu director espiritual que era chegada a sua hora. Estendida no leito de agonia, com a face velada desde que se instalara em Toledo, a santa fundadora não resistiu por muito tempo, e expirou a 17 de Agosto de 1491.

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