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12/1 – São Bernardo de Corleone, Confessor

Este santo, dotado de um temperamento violento, extraviou-se no caminho da turbulência, a que se entregou por inteiro; depois de se converter, seguiu com a mesma radicalidade o caminho da virtude, alcançando a honra dos altares.

Felipe, como se chamava no mundo esse santo capuchinho, nasceu em Corleone, na Sicília, no ano de 1605. Seu pai era um humilde artesão, e a família tão piedosa, que a sua casa era conhecida como a “casa dos santos”. Embora não pudessem dar aos filhos uma educação esmerada, transmitiram-lhes a riqueza da prática e dos ensinamentos da nossa santa religião.

Mas Felipe tinha um carácter fogoso e independente, dificilmente controlando o seu espírito rebelde, insensível a ameaças e castigos.

Após o falecimento do pai, que tinha uma certa autoridade sobre ele, Felipe resolveu fazer-se soldado. Com o seu espírito belicoso, logo começou a criar conflitos, chegando mesmo a tornar-se algumas vezes feroz. Assim, cortou a cabeça com um golpe de sabre a um comissário de guerra que se dirigiu a ele de modo altivo; decepou o braço de um fidalgo que levantara a mão para o esbofetear; matou três bandidos que o assaltaram e ameaçavam tirar-lhe a vida; e travou vários duelos com companheiros de armas que dele discordavam em algum ponto.

Quando sentia remorsos pela sua má vida, fazia uma boa obra para aliviar a consciência. Mas não ia além disso. Porém, um dia em que ganhou uma soma considerável, pensou: “É justo que resgate alguns dos meus pecados.” E depositou a quantia no cofre de esmolas do hospital. A esmola tem um valor tão grande, que lhe atraiu a graça da conversão.

O seu rancor era proverbial, e não perdoava nem aos mortos. Assim, no funeral de um senhor com quem tinha tido um atrito, entrou na igreja no momento da encomendação do corpo e, diante da viúva e dos parentes do falecido em lágrimas, começou a gargalhar para dar mostras da sua alegria por aquela morte, atitude que lhe valeu uma boa sova. Mais ainda: os parentes do falecido fizeram queixa criminal contra ele, e Felipe foi perseguido pela polícia, tendo de se refugiar numa igreja para gozar do direito de asilo. Abandonado, perseguido pela justiça e pela própria consciência, foi aos poucos caindo em si e começou a considerar a miserável vida que levava, e quão perto estava da perdição eterna. A graça, penetrando na sua alma, fez o resto. De coração contrito e humilhado, pediu perdão a Deus pelos seus pecados, e prometeu retirar-se do mundo para terminar os seus dias com actos de penitência e de piedade. Depois de uma contrita confissão geral, dirigiu-se ao convento capuchinho de Palermo, onde recebeu o nome de Bernardo.

Se fora de espírito independente, mostrou-se agora o mais obediente dos religiosos, procurando adivinhar o menor desejo dos superiores. Como antes tinha sido ganancioso e desejoso dos bens terrenos, observou de tal maneira a santa pobreza, que muitos o comparavam ao Poverello de Assis: nada possuía, a não ser um hábito gasto, um terço, uma cruz e uma disciplina para domar os impulsos desregrados de seu temperamento. Passou a dormir no chão, e apenas três horas por noite. Disciplinava-se até ao sangue e vivia a pão e água.

Frei Bernardo, embora simples e sem cultura, atingiu as mais sublimes alturas da oração, e mereceu a honra de ser distinguido por graças especiais de Nosso Senhor e da Bem-aventurada Virgem Maria, chegando a conhecer os mais profundos mistérios da nossa fé.

Atingido pela peste quando cuidava dos contagiados por ela, Frei Bernardo faleceu no dia 12 de Janeiro de 1667, aos sessenta anos. O seu corpo, exumado sete meses depois da morte, foi encontrado incorrupto. O Papa Clemente XIII beatificou-o em Maio de 1768, e João Paulo II canonizou-o em 2001.

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