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1/12 – Santo Elói, Bispo e Confessor

Santo Elói é desses santos que, assemelhando-se mais a anjos do que a simples mortais pela sua inocência e singular caridade, tiveram uma vida digna de figurar na Legenda Áurea[i]. Apreciador da riqueza e da beleza no culto divino e na sociedade temporal, como bispo perseguiu os simoníacos, confundiu os hereges e castigou os maus padres.

Elói ou Elígio nasceu em Chatelac, perto de Limoges, na então Gália, hoje França, de pais nobres e piedosos de origem romana, no ano de 588. Formado desde cedo nos exercícios de piedade, os pais imprimiram-lhe tal desprezo pelo mundo, que parecia não ter nascido senão para o calcar aos pés.

Adolescente, observando o pai sua singular aptidão para os trabalhos manuais, colocou-o como aprendiz de um ourives da cidade, enviando-o depois para Limoges, para a fábrica de moedas pertencente ao fisco e dirigida pelo mestre Abón, que era então a maior autoridade nesse ofício. Em pouco tempo, Elói fez tantos progressos, que o mestre o enviou para Paris com uma carta de recomendação para Bobón, o tesoureiro do rei Clotário II, para se aperfeiçoar. O jovem tinha então vinte anos.

A sua conversa era tão honesta e agradável a todos, que em pouco tempo granjeou na corte muito boas amizades. Entre outras, ganhou a simpatia de Bobón, o tesoureiro do rei, e dos futuros Santos Adueno (Ouen) e Desidério.

Desejando o rei mandar fazer um trono rico em pedrarias, perguntou a Bobón quem seria capaz disso. O tesoureiro indicou Santo Elói. O rei aceitou a indicação, e mandou entregar ao santo uma grande quantidade de ouro e pedrarias, com o desenho do trono. Passado algum tempo, Elói entregou-lhe não um, mas dois tronos.

O rei ficou perplexo, pois Elói poderia ter apresentado um só trono, e ficado com o resto das jóias. “Eis aqui uma grande exactidão”, disse-lhe o rei. “Com isso, mostras que és de confiança para coisas muito mais consideráveis.” E passou a encomendar-lhe negócios de muito maior monta, e a tê-lo no número dos seus conselheiros e embaixadores.

Falecendo Santo Acário, Bispo de Noyon (França), o clero e os fiéis daquela diocese – como era costume na época – escolheram Santo Elói para seu sucessor. Como Elói ainda era leigo, São Cesário de Arles preparou-o, durante um ano, para receber o sacerdócio, sendo sagrado bispo em Maio de 641, juntamente com seu amigo Santo Ouen. Elói foi um bispo segundo Deus, cuidando das suas ovelhas com espírito inteiramente sobrenatural.

Tendo atingido os 70 anos cheio de boas obras, Santo Elói chegou ao termo da sua carreira terrena. Chorado por todos, especialmente pelos pobres, entregou a alma a Deus no primeiro dia de Dezembro do ano de 659 da nossa era. A fama deste santo é tal, que é lembrado ainda hoje em singela melodia cantada pelas crianças francesas.


[i] A Legenda Áurea é uma coletânea de narrativas hagiográficas, feita por volta de 1260 pelo frei Dominicano e futuro bispo de Gênova Tiago de Vorangine.
Foto: São Elói dando ao rei Clotário II, duas celas feitas por ele. Um artista do século XV traduziu a palavra cela erroneamente, levando à representação do santo dando duas celas a Clotário II. Tríptico do século XV, Poitiers.

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