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01/5 – Festa de São José Operário

“O dia 1º de Maio nascera, no calendário das festividades, sob o signo do ódio. Desde meados do século xix, essa data identificara-se, na memória e imaginação de muitos, com as alamedas e as avenidas das grandes cidades cheias de multidões com os punhos cerrados. Era dia de greve total, em que o mundo dos proletários recordava à sociedade burguesa até que ponto tinha descido, à mercê do ódio dos explorados. E essa festa do ódio, da vingança social e da luta de classes ia transformar-se por completo numa memória litúrgica” (Pio XII, na instituição da festa de São José Operário).

A Igreja baptizava outrora as festas pagãs, usando com soberana liberdade as datas e cerimónias para lhes dar um conteúdo cristão. Foi inspirando-se nesta tradição que a Igreja, pelo Papa Pio XII, colocou a festa civil do trabalho no 1.º de Maio, sob o poderoso patrocínio de São José, o humilde artífice que Deus escolheu para velar sobre a infância do Verbo Encarnado.

 “O mundo do trabalho precisava, nos nossos dias, de receber um sopro de espiritualidade. O trabalho é uma ocupação normal do homem. Nesta expressão da vida humana, mais do que a força, manifesta-se a inteligência da criatura racional, feita à imagem de Deus. O trabalho não é fruto só de energias físicas: é particularmente, para o homem, fruto do espírito. E este fruto do espírito enobrece-se e valoriza-se ao receber um como que banho de sobrenaturalização e santidade, na imitação e no espírito dos que foram trabalhadores e santos. O trabalho assim executado transcende os limites deste mundo, e serve para a consecução de uma recompensa eterna. É por isso que, aos trabalhadores de qualquer classe, foi dado um patrono celeste: São José Operário, em cuja oficina de carpinteiro trabalhou o próprio Filho de Deus, que santificou com os seus suores divinos as fadigas do trabalho humano” (Missal Romano Quotidiano, São Paulo, Edições Paulinas, 1959, festa de São José Operário).

Concluímos, para proveito dos leitores, com a bela oração de São Pio X para antes do trabalho, que faz com que ele seja feito com o espírito sobrenatural que deve ter:

 “Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência para expiação dos meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima das minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e as contas que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!

Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amen.


Foto: DR

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