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7/8 – São Caetano de Thiene, Confessor

São Caetano nasceu em Outubro de , em Vicência, então República de Veneza. Seu pai, Gaspar, Conde de Thiene, Doutor em Direito e capitão de Couraceiros, possuía castelos e feudos nessa cidade. Era acima de tudo um católico exemplar, e educou-o num ambiente virtuoso e profundamente religioso.

Em 1504, Caetano graduou-se doutor em Direito Civil e Canónico, recebendo pouco depois a tonsura clerical. Três anos mais tarde, já ordenado sacerdote, foi para a Roma renascentista.

Na capital da cristandade, uns homens piedosos tinham fundado uma Companhia, ou Oratório do Amor Divino, cujo objectivo era mostrar ao mundo, através do exemplo, que a fé e as obras não estavam mortas na Roma do Renascimento, apresentada por Lutero como centro de todos os vícios. Este Oratório visava contrarrestar a influência paganizante do Renascimento, procurando reascender nos corações o fogo do amor de Deus e impedir que a heresia, a libertinagem, o amor aos prazeres e a paixão dos interesses O banissem.

Na noite de Natal de 1517, quando São Caetano rezava em Roma junto à relíquia do presépio venerada na igreja de Santa Maria Maior, Nossa Senhora apareceu-lhe com o Menino Jesus recém-nascido nos braços, acompanhada de São José e São Jerónimo, e depositou o Menino nos braços de Caetano. Este episódio é relatado pelo próprio santo à irmã, em carta de 28 de Janeiro de 1518. Esta aparição repetiu-se nas seguintes festas da Circuncisão e da Epifania. Por isso, São Caetano é representado sempre com o divino Menino nos braços.

Depois do falecimento da mãe, o santo ingressou no Oratório de São Jerónimo, cujos fins eram os mesmos da Confraria do Amor Divino, mas que incluía também leigos pobres. E fez de tudo para elevar, espiritual e materialmente, aqueles pobres trabalhadores, conseguindo incrementar entre eles a comunhão frequente e as visitas aos enfermos nos hospitais. Tambémm fundou o Hospital dos Incuráveis, destinado aos doentes pobres sem esperança de cura.

Para levar adiante a obra de verdadeira reforma católica desejada pelos Concílios de Latrão e de Trento, Caetano pensou em fundar uma ordem religiosa que enaltecesse o estado sacerdotal, com a profissão dos três votos religiosos, sob a obediência de um superior e a dependência imediata da Santa Sé. O seu objectivo seria trabalhar pela reforma do clero e a regeneração da sociedade. Caetano encontrou óptima aceitação entre três ilustres membros do Oratório do Amor Divino: D. João Pedro Caraffa, Bispo de Chietti, e mais tarde Papa Paulo IV; Bonifácio Cola, hábil e virtuoso advogado; e Paulo Consiglieri, também de alta sociedade e vida angelical.

Surgiu assim a Ordem dos Teatinos. Caetano compreendeu que o problema estava no clero, contagiado em grandes sectores pela cobiça, a frivolidade e a imoralidade do Renascimento. Por isso, os seus religiosos deveriam ter tal confiança na Divina Providência, que não deveriam nem sequer pedir esmolas, mas esperar que lhes fossem dadas espontaneamente.

Em 1547, o Vice-rei de Nápoles, D. Pedro de Toledo, decidiu estabelecer naquele vice-reino o Tribunal da Inquisição, nos moldes do espanhol. A nobreza e o povo amotinaram-se e a sedição foi afogada em sangue. Daqui resultou uma verdadeira guerra civil. As súplicas e mediações de São Caetano foram em vão. Como diz a bula da sua canonização, “alquebrado pela dor ao ver a Deus ofendido pelos tumultos populares, e mais ainda pela suspensão do Concílio de Trento, no qual havia posto tantas esperanças, caiu enfermo de morte”, falecendo no dia 7 de Agosto de 1547. Diz ainda a bula de canonização que no dia da sua morte cessaram todas as revoltas populares, segundo se crê por sua intercessão.


Foto: Giovanni Battista Tiepolo [Public domain]

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