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31/1 – São João Bosco, Confessor

São João Bosco, cuja festa comemoramos hoje, foi uma figura ímpar nos anais da santidade no século xix. Teólogo, escritor, pregador e fundador de duas congregações religiosas, uma masculina e uma feminina, foi fundamental para o trabalho com a juventude operária numa época de grandes transformações. Dotado do discernimento dos espíritos, do dom da profecia e dos milagres, foi a figura mais popular da Europa no seu tempo.

Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco Bosco. Mas, felizmente, a mãe, Margarida Occhiena, era uma mulher forte como a do Evangelho, que, com a sua piedade profunda, capacidade de trabalho e sentido de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para a Europa como foi a do início do século xix, dilacerada pelas cruentas guerras napoleónicas. João Bosco tinha um irmão dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência

A Providência falava-lhe, como a São José, em sonhos. Aos nove anos, teve o primeiro, no qual – sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua acção, se vão transformando em cordeiros e pastores – lhe foi mostrada a sua vocação: trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.

Extremamente dotado tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, “se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo a companheiros da minha idade; de tal forma que, quando havia lutas, disputas e discussões de qualquer género, era eu o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que eu desse”, dirá na sua autobiografia. Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair os companheiros para os seus jogos e a sua pregação, pois desde os sete anos que foi um apóstolo entre eles.

Aos doze anos, a mãe pôs-lhe aos ombros um bornal com alguns pertences e mandou-o procurar trabalho nas fazendas vizinhas. O adolescente perambulou pela região, trabalhando como empregado num café, como aprendiz de alfaiate, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro e como preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios aos seus birichinni (rapazes) nas escolas profissionais que fundará. Recém ordenado, Dom Bosco encontrou um guia seguro no seu director espiritual, São José Cafasso.

Turim, como capital do reino do Piemonte, começava a conhecer a industrialização. E com isso a atrair, como ainda hoje acontece com qualquer cidade grande, gente de todos os quadrantes à procura de trabalho. Os jovens vinham às centenas e, sem família, entregues a si mesmos sem nenhum guia moral, perdiam-se no vício e no jogo. São João Bosco começou a reuni-los em oratórios, dando-lhes instrução religiosa e cívica.

De entre os melhores rapazes, escolheu vários para iniciar uma sociedade religiosa que continuasse aquela tarefa depois da sua morte. Embora os tempos fossem difíceis para a religião, obteve a aprovação da Santa Sé e a da autoridade civil, apesar das ideias anticlericais desta, para a sua congregação dos Salesianos.

Poucos homens terá havido que tenham odiado e combatido tanto o pecado. Até vertigens lhe produzia só de pensar nele, e muitas vezes foi ouvido a exclamar que preferia que se queimasse mil vezes o Oratório – que tantos desvelos lhe havia custado – antes que nele se cometesse um só pecado.

A vida de São João Bosco é um milagre constante: é humanamente inexplicável como foi que, sem dinheiro algum, conseguiu construir escolas e duas igrejas – uma delas, a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora –, prover de máquinas específicas as suas escolas profissionais, nutrir e vestir mais de quinhentos rapazes numa época de carestia.

São João Bosco mantinha uma correspondência intensa, escrevendo para imperadores, reis, membros da nobreza e dirigentes da nação com uma liberdade que só os santos podem ter. Escreveu também à Princesa Isabel, recomendando-lhe os seus Salesianos no Brasil.

São João Bosco morreu em Turim, a 31 de Janeiro de 1888, sendo canonizado por Pio XI, em 1934.


Foto: Carlo Felice [Public domain], via Wikimedia Commons

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