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14/12 – São João da Cruz, Confessor e Doutor da Igreja

A Providência Divina confirmou em graça e moldou perfeitamente à cruz de Cristo São João da Cruz, escolhido para secundar Santa Teresa de Jesus na extraordinária obra da reforma do Carmelo.

João nasceu no dia 24 de Junho de 1542, em Fontiveros, Espanha, filho de Gonzalo de Yepes e de Catarina Alvarez. Seu pai era de antiga e nobre linhagem, mas fora deserdado pelos tios por se ter casado com uma donzela que tinha como única fortuna a sua piedade.

Gonzalo faleceu quando o menino tinha quatro anos, deixando a família (mãe e três filhos) na mais extrema penúria. De maneira que a infância e juventude de João foram marcadas pela pobreza.

Aos vinte e um anos, pediu a admissão no convento dos carmelitas de Medina Del Campo onde, em Fevereiro de 1563, recebeu o hábito, com o nome de João de São Matias. No dia de sua primeira missa, pediu e recebeu de Deus a graça de conservar até ao fim da vida a inocência baptismal. Isto foi revelado a uma virtuosa freira, que, estando esperando que Frei Matias terminasse de atender outra pessoa para tratar com ele de negócios da sua alma, recolhendo-se em oração, “manifestou-lhe o Senhor a grande santidade do santo padre Frei João; e lhe revelou que, quando [o mesmo] disse a primeira Missa, lhe havia restituído a inocência e posto no estado de um menino de dois anos, sem duplicidade nem malícia, confirmando-o em graça como os Apóstolos, para que não pecasse e jamais O ofendesse gravemente”.

Querendo levar uma vida mais recolhida, João de São Matias pensou em fazer-se cartuxo. Desistiu da ideia quando, encontrando Santa Teresa, esta o convenceu a fundar um convento de Descalços, para seguir a primitiva regra da Ordem Carmelita. Tomou então o nome de João da Cruz, com o qual seria elevado à honra dos altares.

O santo sofreu muitas perseguições e padeceu sofrimentos, mas deu mostras de grande abnegação, foi penetrado do amor à cruz, e era alma de profunda oração. Os seus escritos místicos granjearam-lhe o direito de ser considerado o Doutor da vida contemplativa.

Pelo seu amor à cruz de Cristo, não é de admirar que, certo dia, quando Cristo Padecente lhe perguntou o que desejava em paga do seu amor puro e exclusivo a Deus, ele respondeu: “Padecer, Senhor, e ser desprezado por Vós.” Na sua boca, esse dito não era uma figura de retórica, mas exprimia o élan generoso de sua alma de fogo.

São João da Cruz exerceu diversos cargos na reforma teresiana até que, depois da morte da santa, foi relegado, como simples frade, para um convento secundário da Ordem, onde foi de tal maneira ignorado pelo superior e tido em nada, que este não lhe deu sequer os medicamentos de que necessitava quando lhe apareceram uns tumores na perna, que era necessário extirpar a sangue frio.

O santo faleceu no dia 14 de Dezembro de 1591, com apenas quarenta e nove anos, depois de ter passado vinte e oito na vida religiosa.


Foto: DR

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