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27/2 – São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, Confessor

A este santo se podem aplicar as palavras da Sagrada Escritura: “Tendo vivido pouco, encheu a carreira de uma larga vida; sendo a sua alma agradável a Deus, por isso Ele Se apressou a tirá-lo do meio das iniquidades” (Sab 4, 13). Com efeito, morreu aos 24 anos, mas viveu muito, pois em pouco tempo adquiriu grandes méritos e realizou grandes obras, dessas que marcam nos faustos da eternidade, ainda que não figurem nas páginas da História.

Gabriel nasceu no ano de 1838 em Assis, e no baptismo recebeu o nome de Francisco. Aos 4 anos, ficou órfão de mãe. A família transferiu-se então para Espoleto, onde o menino fez os primeiros estudos com os Irmãos das Escolas Cristãs, prosseguindo-os no colégio da Companhia de Jesus, onde foi eleito presidente da Academia de Literatura.

Quando São Pio X o beatificou, afirmou que “durante os estudos, pelo ardor da idade, [o jovem] fez algumas concessões aos afagos do mundo”. Tal condescendência terá sido com festas, danças e a leitura de romances.

Ao longo da primeira juventude, Deus tocou-lhe a alma por várias vezes, entre moléstias e doenças graves; mas Francisco não correspondeu grandemente ao apelos da graça. Quando tinha 18 anos, participando numa procissão em louvor da Padroeira da cidade, fixou a face da Virgem, e pareceu-lhe que Ela o fitava de modo especial e lhe falava ao coração: “Francisco, o mundo não é para ti, espera-te a religião.” Não duvidou desse apelo e, no dia 21 de Setembro de 1856, entrou para o noviciado dos Padres Passionistas, em Morrovalle de Ancona. Ao vestir o hábito negro, tomou o nome de Gabriel de Nossa Senhora das Dores, pelo qual ficaria conhecido.

Um ano depois, consagrou-se a Deus com os votos públicos de pobreza, castidade e obediência. Nesse dia, sentiu-se mais intimamente unido a Deus e morto para o mundo.

O Irmão Gabriel aprofundou o carisma da sua Ordem, que é o amor a Jesus Crucificado e a Nossa Senhora das Dores, seguindo as suas regras com um amor prático e sacrificado, na linha austera e apertada marcada por elas. No entanto, no meio das penitências, conservava um carácter alegre e simpático, colocando-se inteiramente nas mãos de Nosso Senhor, na pessoa dos seus superiores.

Mas Deus chamou-o a Si quando tinha apenas as ordens menores. Com os benditos nomes de Jesus e Maria nos lábios, entregou a sua bela alma a Deus no dia 27 de Fevereiro de 1862, na ilha de Gran Sasso. Tal como São Luís Gonzaga, tinha apenas 24 anos e, tal como ele, tinha passado somente 6 anos na vida religiosa.

Comenta um hagiógrafo: “Ninguém se deu conta dos seus méritos, arrebatado como foi ao principiar a carreira. Aos olhos do mundo, sumiu-se como flor sem frutos. Deus, porém, tinha visto quanto ele valia, o valor e a grandeza das suas obras, aparentemente insignificantes e escondidas nas sombras silenciosas do claustro. Quando pareceu que ele desaparecia para sempre no silêncio da morte, foi que principiou a falar com a voz dos milagres, a voz que não é humana, mas potente e divina” (P.e José Leite, SJ, Santos de Cada Dia, vol. i, Braga, Editorial A.O., 1993, p. 273).

Os milagres do humilde passionista continuaram a multiplicar-se, de maneira que São Pio X o beatificou em 1908; e, em 1920, Bento XV canonizou-o, juntamente com Santa Margarida Alacoque.

 Com propriedade diz o Intróito de sua Missa, citando o Livro do Eclesiástico, 11, 13: “O olhar de Deus penetrou-o com amor, levantou-o da terra onde jazia, e exaltou a sua cabeça: admiraram-se muitos ao vê-lo, e glorificaram a Deus.


Foto: Padres passionistas [Public domain]

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