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17/5 – São Pascoal Bailão, Confessor

Pascoal Baylão, santo especialmente devoto da Eucaristia, nasceu na pequena cidade de Torre Hermosa, então reino de Aragão, no domingo de Páscoa; daí seu nome. Seus pais eram dois humildes camponeses, Martim Baylão e Isabel Jubera, tão pobres que nada puderam dar ao filho senão uma profunda fé religiosa.

A pobreza da família obrigou Pascoal a trabalhar desde os 7 anos. Dessa idade até os 24 anos, foi pastor; cuidava das cabras e ovelhas, mas o seu espírito permanecia sempre elevado em Deus, nos seus anjos e nos seus santos. Deste modo, praticava em grau sublime o exercício da presença de Deus.

Naqueles bons tempos de fé, era habitual tocar o sino das igrejas no momento da Consagração, quando ocorre o sublime milagre da transubstanciação. Ouvindo esse sino no campo, Pascoal costumava prosternar-se. Numa das vezes, viu dois anjos segurando no ar um cibório com a hóstia consagrada, visão que o marcou profundamente, fazendo aumentar nele o amor ao divino mistério da Eucaristia

Para aprender os rudimentos da leitura, levava consigo um livro, e pedia a todos os que passavam que o ensinassem a ler o que estava escrito.

Aos 18 anos, Pascoal resolveu fazer-se religioso, para se entregar inteiramente a Deus. Buscava um lugar onde se observassem as regras com toda exactidão e fervor e, ouvindo dizer que, no reino de Valência, perto da cidadezinha de Monforte, havia um convento de franciscanos que seguiam escrupulosamente a reforma de São Pedro de Alcântara, resolveu ir pedir nele sua admissão.

Chegando ao convento de Nossa Senhora de Loreto – assim se chamava –, admirou muito a paz e serenidade que nele imperavam, mas, por timidez ou humildade, julgou que deveria preparar-se melhor para pedir a admissão. Empregou-se, pois, como pastor na região, contentando-se em frequentar o convento aos domingos e nos dias de festa. Aos poucos, a sua virtude foi sendo conhecida em toda a área, o que levou os frades a aceitarem-no quatro anos depois, em 1564, quando pediu a sua admissão. Queriam que Pascoal fosse religioso de coro e se ordenasse; mas ele, por humildade, quis permanecer irmão leigo, para ser empregado nos ofícios mais baixos do convento. Assim, foi porteiro, jardineiro, copeiro e esmoleiro. Cumpria todas essas ocupações com tanta exactidão, que edificava a todos, sendo as suas austeridades muito maiores dos que as prescritas pela regra. Em qualquer função em que estivesse, elevava o seu pensamento a Deus, meditando no seu amor e nas suas grandezas.

Apesar de quase não ter estudos, Pascoal tinha um extraordinário conhecimento das coisas divinas, e era consultado pelos frades, inclusive pelos mais eruditos.

O ramo reformado dos franciscanos tinha então por superior geral Frei Cristóvão de Cheffon, francês, residente em Paris. Havendo extrema necessidade de comunicar com ele, e sendo isso quase impossível na época devido às guerras de religião que dividiam a França, o provincial de Valência escolheu para a difícil missão o Irmão Pascoal, como o homem mais indicado para a tarefa

E os perigos não foram poucos. Várias vezes, passando por cidades infectadas pelos protestantes, Pascoal foi perseguido com paus e pedras. Recebeu mesmo um ferimento na espádua esquerda, do qual sofreu até o fim da vida. Perto de Orleans, foi cercado pelos calvinistas, que começaram a discutir com ele sobre a presença real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Embora ele não soubesse outra língua que a espanhola nem tivesse estudado teologia, respondeu com tanto acerto às proposições heréticas dos seus adversários, que eles não puderam replicar senão com paus e pedras.

Enfim, chegou a Paris, onde cumpriu a sua missão, voltando para Espanha no meio dos mesmos perigos que enfrentara à ida.

São Pascoal morreu aos 52 anos, no dia 17 de Maio de 1592. O seu corpo permaneceu incorrupto durante séculos, até que, durante o Terror Vermelho, na Guerra Civil Espanhola (1936–1939), o seu túmulo foi violado e as suas relíquias queimadas pelos anticlericais.

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