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13/3 – Santos Rodrigo e Salomão, mártires

No dia 11, vimos a vida de Santo Eulógio, pertencente ao clero de Córdova, ao qual pertencia igualmente outro sacerdote, Rodrigo, que também foi preso pelos islamitas, e martirizado mais ou menos pela mesma época. Santo Eulógio escreveu o relato do seu martírio.

Córdova era uma cidade importante por muitas razões, entre as quais por ter sido o local de nascimento de Séneca, Lucano, Averróis, Gôngora. Foi tomada aos visigodos pelos árabes em 771, e no século X atingiu o seu apogeu cultural. Foi reconquistada por São Fernando III de Castela, em 1236.

Rodrigo era um sacerdote piedoso, cumpridor dos seus deveres, e exemplo para os cristãos que viviam oprimidos sob o jugo muçulmano.

Desejando acrisolar-lhe a virtude, o Senhor permitiu que um dia, numa discussão entre os seus dois irmãos, um católico e outro muçulmano, ele interviesse para acalmar os ânimos. Mas o irmão muçulmano enfureceu-se e atacou-o tão violentamente, que llhe infligiu várias feridas, levando-o a perder os sentidos. O agressor divulgou então malevolamente por toda a cidade que Rodrigo se apartara da religião de Jesus Cristo.

Como ele era muito conhecido nos meios católicos, a notícia provocou grande falatório. Esperando que os ânimos se acalmassem para se justificar, Rodrigo retirou-se para uma serra, onde passou a levar vida de contemplativo. Num dia em que foi à cidade para se prover de alimentos, o seu irmão muçulmano viu-o e, vomitando ódio, denunciou-o ao juiz da sua seita. Rodrigo foi preso e julgado. Confessou então abertamente que “nasci cristão, e cristão hei-de morrer”. O seguidor de Mafoma não quis ouvir mais nada, e mandou-o para a prisão.

Nela, este confessor da fé encontrou outro cristão, Salomão, preso pelo mesmo motivo. Não temos mais notícia dele que o martírio. Estabeleceu-se entre os dois uma estreita amizade, e fizeram a promessa de morrer juntos pelo sacrossanto nome de Jesus Cristo. Converteram, pois, o cárcere em oratório, onde bendiziam a Deus.

Sabendo disto, o juiz mandou separá-los. Dias depois, baldados todos os esforços para os fazer renegar a fé, condenou-os à morte. Foram conduzidos ao lugar do suplício, à beira de um rio, onde confessaram de novo ser cristãos, e que morriam pela fé. Puseram-se então de joelhos, abraçaram-se a um crucifixo, e entregaram o pescoço ao verdugo, que lhes decepou a cabeça. Era o ano de 837.

Estes dados chegaram até nós pelo Memorial de Santo Eulógio, obra que este santo escreveu em 852, em Córdova, a mesma cidade onde Rodrigo e Salomão tinham sido mortos 15 anos antes.


Foto: Bartolomé Esteban Murillo [Public domain]

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