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10/5 – Santo Antonino, Confessor

Santo Antonino teve uma vida tão exemplar e tão santa, que o Papa da época, Nicolau V, afirmou que o julgava digno de ser canonizado em vida.

Santo Antonino – afectuoso diminutivo de António, que os seus diocesanos lhe davam pela sua fragilidade e pequena estatura – nasceu em Florença, em 1389. Seu pai, Nicolau Pierrozi, notário, e sua mãe, Tomazina, tiveram grande cuidado em o educar no temor de Deus.

Aos 15 anos, pediu a admissão na Ordem Dominicana. Segundo dizem vários biógrafos, o Superior do convento – que não era senão o Beato Frei João Dominici, mais tarde Cardeal-arcebispo de Ragusa, legado da Santa Sé na Hungria, e continuador da reforma da Ordem começada por Santa Catarina de Siena –, julgando o candidato muito novo, perguntou-lhe que estudos tinha. Antonino respondeu que estudava Direito Canónico. Como evasiva, o Bem-aventurado disse-lhe: “Estude bem esse direito e, quando o tiver aprendido de cor, prometo recebê-lo.” O santo não se perturbou: voltou para casa e, um ano depois, foi novamente à procura de João Dominici, que, agradavelmente surpreendido, constatou que Antonino aprendera exemplarmente o Direito Canónico. Recebeu-o, pois, aos 16 anos.

A virtude, suprimindo nele a idade, fez com que fosse escolhido, embora muito jovem, para governar o convento de Roma. Nomearam-no sucessivamente prior dos conventos de Nápoles, Baeta, Cortona, Siena, Florença e outras cidades de Itália; por toda a parte reavivou o espírito primitivo da Regra, seguindo fielmente a reforma começada pelo Beato Dominici, sobretudo pelo exemplo. Nomeado Vigário Geral da província da Toscana, e depois da de Nápoles, nada afrouxou nas suas austeridades.

Santo Antonino viveu em pleno Cisma do Ocidente, no qual três papas disputavam o trono de São Pedro. Por isso, em 1409, ele e os seus religiosos tiveram de fugir do seu convento em Fiesoli, e de se refugiar no de Foligno, para escapar às arbitrariedades do governo florentino, partidário do antipapa Bento XIII. Durante esse cisma, os Dominicanos permaneceram fiéis ao verdadeiro Papa, Gregório XII, do qual o Beato Dominici se tornou conselheiro e Cardeal.

Quando, em 1446, o Arcebispo de Florença, Bartolomeu Zabarela, faleceu, o Papa Eugénio IV, que tinha por Santo Antonino a mais alta das considerações, nomeou-o seu sucessor.

No século xv, Antonino fez reviver na sua pessoa todas as virtudes que haviam brilhado nos maiores bispos da Antiguidade. O seu zelo apostólico, as obras da sua caridade e a austeridade da sua vida são a glória da Igreja de Florença, que foi confiada a seus cuidados.

Com efeito, Santo Antonino viveu no século xv, numa altura em que desapareciam os últimos vestígios da Idade Média, “a doce primavera da fé”, nas palavras de Leão XIII, e começava a grassar a mentalidade materialista do chamado Humanismo, ou Renascença. Esta foi descrita por um autor como a implantação do espírito moderno, em oposição ao espírito que prevaleceu na Idade Média, isto é, a um espírito genuinamente católico.

Se naqueles primórdios do movimento renascentista tivesse surgido uma verdadeira coorte de santos que combatesse a Renascença como o fez Santo Antonino, por certo ela não teria dominado os espíritos com o seu espírito naturalista e neopagão, e penetrado nos ambientes católicos como ocorreu nos séculos xv e xvi.


Foto: DR

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