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Tomar: reduto dos templários em desgraça (I)

A Cavalaria, que um autor francês chamou de “a mais bela aventura da História”, é fruto do amor de Deus numa época em que sociedades inteiras moviam-se em conformidade com os 10 Mandamentos e as leis da Igreja.

São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, é o patrono da Cavalaria.

Enquanto instituição, ela nasceu das relações feudais, pelas quais os homens se apoiavam mutuamente para defender-se ante as freqüentes invasões bárbaras.

Essa confiança mútua baseava-se na noção de honra lastrada na caridade cristã.

Dentre as mais célebres ordens de cavalaria destaca-se a dos Templários, criada em 1119 na Cidade Santa por cavaleiros francos. Seu nome liga-se ao Templo de Salomão.

Sua divisa era: “Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam” (Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso Nome dai glória).

Faziam o voto de não recuar nas batalhas. Por isso eram terríveis e temíveis, impondo profundo respeito aos inimigos.

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Com exceção das duas primeiras cruzadas, as sucessivas foram muitas vezes marcadas por desastres, devido às misérias humanas: cobiça, intriga, vanglória, etc.

Com o fim do Reino franco de Jerusalém, as ordens de cavalaria refluíram para a Europa. A dos Templários foi das mais prósperas, chegando a possuir, só na França, cerca de 9.000 commanderies (espécies de fazendas fortificadas).

Seu patrimônio, adquirido mediante doações, era imenso. Mas seu ideal infelizmente já entrara em decadência.

No começo do século XIV, era rei de França Filipe IV, o Belo — homem de espírito revolucionário, oposto ao de seu avô São Luís IX.

Em disputa com o Papa Bonifácio VIII, mandou esbofeteá-lo em Anagni, o que provocou a morte do Pontífice por desgosto, pouco depois, em 1303.

Em 1305, subia ao trono de São Pedro o francês Bertrand de Got, com o nome de Clemente V.

Sensível às instâncias do rei francês, o novo Papa mandou fechar, em 1312, a Ordem do Templo, baseado em acusações graves e obscuras, que até hoje a História não desvendou cabalmente. E a coroa francesa apossou-se dos bens da Ordem.

W. Gabriel da Silva